Em 29 de novembro de 1904, as primeiras religiosas da Ordem “Filhas de Sant’Anna” desembarcaram na Baía do Rio Negro para assumir a direção da Beneficente Portuguesa em Manaus. A chegada das irmãs ocorreu em um período de intensa formação da cidade, então conhecida como a “Capital do Caucho”, em um cenário onde a assistência à saúde era escassa e a caridade operava em campos vastos de miséria e dor

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A presença das religiosas promoveu uma mudança profunda na atmosfera do hospital. Segundo relatos da época, elas “converteram os corredores, as salas, os ambientes todos numa atmosfera nova, mística onde reinava a ordem, o asseio, a exatidão, a economia, o amor, a virtude e o sacrifício”, tornando-se referências de dedicação tanto para os internados quanto para as autoridades públicas.
A trajetória, porém, foi marcada por sacrifícios extremos. Muitas irmãs sucumbiram ao clima úmido e insalubre do Amazonas e a epidemias como a febre amarela. Um exemplo marcante foi a jovem irmã Veridiana, que faleceu em 1906, deixando um legado de entrega que comoveu a sociedade amazonense e reforçou a estima da população pelas religiosas

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Além dos desafios climáticos, a congregação enfrentou tensões políticas por volta de 1910, quando movimentos republicanos e franco-maçônicos tentaram laicizar o hospital. Apesar da pressão para afastar as irmãs, a “impossibilidade de conseguir uma outra turma de enfermeiras para substituí-las” e o reconhecimento de sua abnegação garantiram a permanência da ordem na instituição.
Ao longo das décadas, a atuação das Filhas de Sant’Anna consolidou-se como um testemunho de esperança e trabalho hospitalar no Amazonas. A lista de religiosas que passaram pela Beneficente Portuguesa reflete a continuidade de um serviço essencial que uniu a fé católica à prática da enfermagem e administração hospitalar na região

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Com informações do Portal Amazônia.