O cenário da cacauicultura no Brasil passou por uma transformação profunda, com o Pará assumindo a liderança como o maior produtor do país, superando a Bahia. O foco do setor migrou do volume de commodities para a qualidade, investindo em chocolates premium e de origem, o que coloca a região amazônica no centro do mercado global de luxo.

Para o empresário Marco Lessa, a cultura do cacau representa uma alternativa econômica sustentável para a região. “Uma roça de cacau é seis vezes mais rentável do que a de gado. Não precisa desmatar para plantar cacau”, afirma Lessa, destacando que a atividade preserva o meio ambiente e possui alto valor agregado.
No campo do consumo, a Lei 15.404/2026 trouxe mudanças rigorosas para as embalagens e a composição dos produtos. Agora, o chocolate deve conter ao menos 35% de sólidos totais de cacau, e o tipo ao leite, 25%. A medida visa eliminar termos genéricos como “amargo” e priorizar a concentração real do ingrediente, beneficiando a saúde do consumidor e a reputação do produtor rural.

O reconhecimento internacional já é realidade, com a Organização Internacional do Cacau (ICCO) categorizando o Brasil como exportador de 100% de cacau fino e de aroma. Entre 2021 e 2025, as exportações de chocolate e derivados somaram US$ 1 bilhão, impulsionando o modelo “Bean-to-Bar” (da amêndoa à barra).
O ápice desse movimento ocorrerá em dezembro de 2026, com a chegada do Salon du Chocolat em Salvador. O maior evento mundial do setor reunirá chefs e autoridades para consolidar o Brasil como referência global, buscando diminuir a dependência de commodities e expandir o potencial produtivo por todos os estados da federação.
Com informações do Portal Amazônia.