Samuel Arara, de 25 anos, pertencente ao povo Shawãdawa (Arara), foi um dos nove brasileiros selecionados para o Programa de Bolsas para Povos Indígenas do Alto Comissariado das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos. Natural de Porto Walter, cidade isolada do Acre, o estudante de Engenharia Florestal da Ufac já está em Genebra, na Suíça, onde o evento ocorre até 19 de julho.
Para Samuel, a oportunidade transcende o mérito individual. “Não se trata apenas de uma conquista individual, é uma conquista coletiva e também a oportunidade de levar a voz dos povos indígenas do Acre, da Amazônia e da juventude indígena brasileira para um dos principais espaços internacionais de defesa dos direitos humanos”, declarou.

A preparação para a etapa europeia incluiu uma formação na Universidade de Brasília (UnB), com diálogos entre representantes da Funai, APIB, CIMI e a Procuradoria-Geral da República. O objetivo é capacitar lideranças indígenas para acessar mecanismos internacionais de incidência política e denúncia de violações de direitos.

Durante a imersão na sede da ONU, o grupo estuda a Convenção nº 169 da OIT, que garante o direito à consulta livre, prévia e informada sobre medidas que afetem seus territórios. Samuel enfatiza que esses espaços são fundamentais para apresentar as realidades locais e fortalecer a proteção das línguas e culturas originárias.

Ao retornar ao Brasil, o compromisso de Samuel é replicar o conhecimento adquirido com suas comunidades e organizações. O objetivo é transformar a formação em “ferramentas concretas para fortalecer a defesa dos direitos dos povos indígenas e ampliar nossa participação nos espaços de decisão”.
Com informações do Portal Amazônia.