O déficit comercial dos Estados Unidos apresentou um crescimento expressivo em maio, impulsionado pelo aumento das importações e pela retração nas exportações, conforme dados divulgados pelo governo americano nesta terça-feira (7).
Para entender o cenário: o déficit comercial ocorre quando um país compra mais produtos e serviços do exterior do que vende para outras nações. No mês de maio, a diferença entre as compras e as vendas externas dos EUA se ampliou significativamente.
Esse resultado foi influenciado por fatores geopolíticos, especialmente os impactos da guerra no Oriente Médio, que alteraram as rotas do comércio global e elevaram a demanda por itens específicos. Além disso, a corrida pelos investimentos em inteligência artificial (IA) provocou um salto na compra de equipamentos e insumos necessários para a construção de centros de dados em território americano.
Em números, o déficit comercial saltou 42,2% em comparação a abril, atingindo a marca de US$ 77,6 bilhões (aproximadamente R$ 400 bilhões). Enquanto as importações cresceram 3,3%, chegando a US$ 395,3 bilhões (R$ 2,04 trilhões), as exportações recuaram 3,2%, fechando em US$ 317,7 bilhões (R$ 1,64 trilhão).
De acordo com o Departamento de Comércio dos EUA, os produtos que mais pesaram no aumento das importações foram bens de consumo, petróleo bruto, insumos industriais, automóveis, peças e equipamentos de informática. Já nas exportações, houve alta nas vendas de petróleo bruto e derivados após conflitos envolvendo os EUA, Israel e Irã em fevereiro, embora a exportação de medicamentos tenha caído.
O cenário chama a atenção por ocorrer durante a aplicação do “tarifaço” do governo de Donald Trump. A política tarifária visa encarecer produtos estrangeiros para estimular a indústria doméstica e reduzir a dependência de fornecedores externos. No entanto, os dados de maio mostram que a estratégia ainda não surtiu o efeito esperado, já que empresas americanas continuam importando itens essenciais.
Especialistas sugerem que muitas empresas podem ter antecipado compras para evitar futuras altas de tarifas. Além disso, retaliações de outros países podem estar prejudicando as exportações dos EUA. Atualmente, vigora uma tarifa global mínima de 10% sobre a maioria dos produtos, com taxas adicionais para aço, alumínio e automóveis.
O Brasil também está no radar do governo americano, com investigações abertas com base na Seção 301 que podem resultar em novas tarifas. O governo brasileiro, por sua vez, contesta a tarifa de 12,5% e classifica a investigação como “arbitrária”, optando por focar em negociações bilaterais em vez de participar das audiências públicas desta semana.
Vale lembrar que a política tarifária sofreu alterações após a Suprema Corte derrubar, em fevereiro, tarifas globais de dois dígitos impostas anteriormente. A alíquota temporária de 10% para parceiros comerciais deve expirar ainda este mês.
Com informações do G1