O governo brasileiro mantém diálogos intensos com autoridades dos Estados Unidos para evitar que a gestão de Donald Trump imponha novas tarifas sobre produtos nacionais. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, confirmou nesta terça-feira (7) que as tratativas seguem em andamento.
De acordo com o ministro, equipes técnicas dos dois países já se reuniram e há a expectativa de um novo encontro com Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA. A reunião deve ocorrer antes que Washington tome uma decisão final sobre a aplicação de novas tarifas contra o Brasil, prevista para a próxima semana.
Apesar da abertura para negociações, o governo brasileiro estabeleceu um limite claro: a redução de tarifas de importação sobre o etanol norte-americano está fora da mesa. Para o Ministério, ceder nesse ponto representaria um risco direto para a economia da região Nordeste, onde a indústria sucroalcooleira possui forte presença e gera milhares de empregos.
A divergência surge após a sugestão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que defendeu a redução dessas tarifas em manifestação enviada ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Flávio argumentou que a relação tarifária atual é “assimétrica” e que ambos os países poderiam chegar a um acordo de tarifas zeradas.
Para entender o cenário atual, o Brasil aplica uma tarifa de 18% sobre o etanol vindo dos Estados Unidos, enquanto os americanos cobram 12,5% sobre o etanol brasileiro. A proposta de paridade defendida por Flávio facilitaria a entrada do produto estrangeiro no mercado interno brasileiro.
O ministro Márcio Elias Rosa destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já deu orientações precisas para que o etanol não seja utilizado como moeda de troca. “Nunca [fazer concessões no etanol]. Ao contrário, o governo do Brasil, o presidente Lula defende claramente que esse tema do etanol não seja tratado nessa negociação e, mais, não seja tratado sem que nós tratemos da questão do açúcar, que é sobretaxado nos EUA”, afirmou o ministro.
Sem citar nominalmente o senador, o ministro lamentou que haja defesas para a adoção de um regime paritário. “Esse é um setor muito importante, sobretudo no Nordeste do país. A produção do etanol e, eventualmente, a abertura do mercado do etanol norte-americano colocaria em risco, sobretudo, a produção do etanol no Nordeste do país”, completou Márcio Elias Rosa.
Com informações do G1