Quem é o cacique Raoni: saúde, legado e a luta pela terra Kapoto-Nhĩnore

O cacique Raoni Mẽtyktire, uma das lideranças indígenas mais influentes do mundo, está internado no Hospital São Paulo (Unifesp) para cuidados intensivos. Aos 93 anos, o líder do povo Mebêngôkre (Kayapó), cujas terras formam um dos maiores corredores de floresta protegida entre o Pará e Mato Grosso, enfrenta fragilidade física, mas mantém a mente focada no futuro da causa indígena

Raoni e o neto Takakpe conversam sobre a autobiografia Memórias do Cacique (Cia. das Letras, 2025). Foto: Reprodução/Acervo Instituto Raoni

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Em entrevista, seu neto e assessor, Takakpe Tapayuna Mẽtyktire, revelou que Raoni manifestou um “alerta espiritual” antes de adoecer, orientando que a nova geração de lideranças, como seu tio Megaron Txucahamãe, assumisse a linha de frente. A maior preocupação do cacique é que a juventude não continue a luta contra a corrupção e a invasão de terras por interesses financeiros

Cacique Megaron Txucarramãe (camisa vermelha), Raoni e membros de uma comitiva de lideranças Kaiapó em reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), no Congresso Nacional em 2019. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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Um dos maiores anseios de Raoni é a demarcação da Terra Indígena (TI) Kapoto-Nhĩnore, seu local de origem. O território é considerado sagrado, mas foi tomado por fazendeiros após a morte do irmão do cacique na década de 1950. Embora a Funai tenha aprovado os estudos de delimitação em 2023, a lentidão do Estado brasileiro gera desânimo no líder

Cacique Raoni Mẽtyktire (cocar amarelo), seu neto e intérprete Takakpe (ao meio) e o cacique Yabuti (cocar vermelho), todos do povo Kaiapó. Foto: Reprodução/Acervo Instituto Raoni

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O legado de Raoni também é registrado no livro ‘Memórias do Cacique’, que detalha a cosmologia Kayapó e a importância da educação para a sobrevivência cultural. O líder incentiva que os jovens estudem para “terem força para enfrentar qualquer ataque, também desses que vêm atacando juridicamente os direitos dos povos indígenas”, sem jamais perderem a tradição ancestral.

Com informações do Portal Amazônia.

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