Milei propõe ‘paralisar’ governo argentino se orçamento não for aprovado

O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta terça-feira (7) a intenção de implementar um projeto de lei que cria um mecanismo de “paralisação” do Poder Executivo. A proposta é inspirada no sistema institucional utilizado pelos Estados Unidos para lidar com impasses orçamentários.

O objetivo central da medida é garantir a disciplina fiscal absoluta. Segundo Milei, o mecanismo serviria para impedir que a classe política financie despesas que superem a capacidade real de arrecadação do país ou que extrapolem o Orçamento autorizado pelo Congresso Nacional.

“Estamos trabalhando na elaboração de uma paralisação do Poder Executivo, ou melhor, da política”, afirmou o presidente argentino em entrevista, reforçando sua estratégia de impor limites rígidos aos gastos públicos para controlar a economia do país.

Para entender a proposta, é preciso analisar como funciona a “paralisação do governo” (government shutdown) nos EUA. Esse mecanismo entra em vigor automaticamente quando o Poder Legislativo não aprova as leis orçamentárias gerais no prazo determinado ou não concede uma autorização temporária de financiamento.

Na prática, a medida obriga a administração pública a suspender imediatamente todas as atividades e serviços considerados não essenciais. Apenas setores críticos, como segurança nacional, saúde pública e resposta a emergências, permanecem operacionais, enquanto a máquina administrativa é reduzida ao mínimo.

Atualmente, a legislação argentina funciona de forma oposta. A Lei de Administração Financeira vigente estipula que, caso não haja um orçamento aprovado no início do ano, a lei orçamentária do exercício anterior entra em vigor automaticamente.

Esse modelo atual visa garantir que o Estado continue funcionando ininterruptamente e que os serviços públicos não sejam interrompidos por falta de consenso político entre o governo e o Congresso. A mudança proposta por Milei alteraria drasticamente essa lógica, transformando a falta de acordo orçamentário em um gatilho para a interrupção de serviços.

A medida ocorre em um momento em que, embora os indicadores macroeconômicos apresentem melhoras sob a gestão de Milei, a população, especialmente a nova classe média, ainda enfrenta dificuldades financeiras severas devido ao ajuste fiscal rigoroso.

Com informações do G1

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