O movimento de embarcações no Estreito de Ormuz, uma das vias marítimas mais estratégicas do mundo, apresentou uma queda significativa nesta semana. A região é fundamental para a economia global, pois por ela transita aproximadamente 20% de todo o comércio mundial de petróleo.
A redução no tráfego ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas e militares entre os Estados Unidos e o Irã. Dados de rastreamento marítimo indicam que, embora cerca de 22 navios ligados ao Japão tenham deixado o Golfo desde a última terça-feira (7), o volume geral de trânsito diário na região diminuiu.
Governos e empresas de navegação monitoram a situação com cautela. O cenário tornou-se crítico após ataques iranianos contra navios comerciais, seguidos por ações retaliatórias dos Estados Unidos contra alvos no Irã.
Relatórios da Kpler e da LSEG apontam que ao menos cinco navios-tanque de Gás Natural Liquefeito (GNL), navegando sem carga, entraram no Estreito nos últimos dias. Entre eles, destacam-se o GasLog Shanghai, de operação grega, e quatro embarcações da QatarEnergy: Al Samriya, Al Dafna, Al Gattara e Al Rayyan.
A instabilidade tem levado as companhias a mudarem suas estratégias de navegação. Segundo Xavier Tang, analista sênior de mercado da Vortexa, “O que mudou em relação ao início do conflito é que o Irã passou a atacar embarcações que utilizam a rota de Omã, em vez de mirar todos os navios. Isso pode levar mais embarcações a optar pela rota iraniana ou a adotar medidas mais discretas ao atravessar o estreito”.
Para evitar detecções e ataques, fontes do setor informaram à Reuters que navios estão desligando com mais frequência os sistemas públicos de rastreamento AIS (Automatic Identification System), o que torna o monitoramento do fluxo marítimo mais complexo.
A análise de dados da Kpler revela que o tráfego de petroleiros e navios de GNL caiu para o menor nível desde 28 de junho. Na última quinta-feira, apenas 10 embarcações foram registradas transitando pelo estreito, contra 14 na quarta-feira e 22 na segunda-feira.
No campo militar, as forças do Comando Central dos EUA realizaram, na noite de quarta-feira (8), ataques a cerca de 90 alvos estratégicos na costa iraniana. O objetivo foi reduzir a capacidade do Irã de interceptar navios no Estreito, atingindo sistemas de defesa aérea, vigilância costeira e depósitos de mísseis e drones.
Embora não seja o proprietário legal da via, o Irã controla a costa norte e diversas posições militares na região, utilizando essa vantagem geográfica como instrumento de pressão política e militar para exigir o reconhecimento de sua soberania sobre a rota.
Com informações do G1