Volkswagen estuda fechar fábricas e demitir 100 mil funcionários na Alemanha

A Volkswagen, a maior montadora da Europa, enfrenta um momento crítico em sua história. Nesta quinta-feira (9), os grupos controladores da companhia se reúnem para discutir um plano de reestruturação que prevê o fechamento de quatro fábricas na Alemanha e o corte de até 100 mil empregos.

A medida é uma resposta a diversos fatores econômicos que pressionam a empresa. Entre eles, destacam-se os custos de produção elevados, o excesso de capacidade produtiva no mercado interno alemão e a concorrência agressiva de fabricantes de veículos chineses. Além disso, a empresa lida com a pressão de tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos.

O cenário da Volkswagen reflete a situação da própria economia alemã, a maior da Europa, que atravessa um período de crescimento lento e altos custos de energia e mão de obra. O CEO da companhia, Oliver Blume, tenta agora convencer representantes sindicais a aceitarem cortes profundos que abrangem todo o grupo, incluindo marcas de luxo como Audi e Porsche.

Paralelamente, Blume sofre pressão das famílias Porsche e Piëch, controladoras da montadora, que viram seus investimentos perderem dezenas de bilhões de euros em valor de mercado nos últimos anos.

Em Wolfsburg, sede da empresa, centenas de trabalhadores realizaram protestos com bandeiras e buzinas. O sindicato IG Metall mobilizou cerca de 400 pessoas na cidade, sob a mensagem “Gemeinsam stark” (fortes juntos).

Em nota oficial, a Volkswagen afirmou que compartilha as preocupações dos funcionários, mas defende que a mudança é vital para a sobrevivência do negócio. “Estamos ajustando nosso portfólio de investimentos e simplificando nossas estruturas corporativas”, declarou o porta-voz da empresa. “E sim, também teremos que reduzir o excesso de capacidade”.

As unidades ameaçadas de fechamento estão localizadas em Hanover, Emden, Zwickau e Neckarsulm (esta última com uma unidade da Audi). De acordo com a revista Spiegel, as fábricas de Zwickau e Emden poderiam encerrar as atividades nos próximos cinco anos, enquanto Hanover fecharia em 2032 e Neckarsulm em 2034.

Dados da Mobility Global indicam que a capacidade produtiva da Volkswagen na Alemanha deve cair de 81% em 2026 para 73% até o fim da década. O caso de Zwickau é emblemático: a previsão é que a utilização da fábrica caia de 88% em 2026 para apenas 42% até 2030.

A governança da empresa, que divide decisões entre famílias controladoras, sindicatos e o governo do estado da Baixa Saxônia, torna o processo de reestruturação complexo. Embora houvesse um acordo anterior para evitar fechamentos, a crise financeira e a perda de competitividade forçaram a direção a reconsiderar a estratégia.

Com informações do G1

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