Governo eleva projeção de inflação para 5,1% e prevê estouro da meta

O governo federal revisou, nesta quarta-feira (15), a estimativa para a inflação oficial deste ano, elevando a projeção de 4,5% para 5,1%. A mudança reflete a persistência da pressão sobre os preços, com destaque para o setor de alimentos, além dos impactos gerados pelo conflito no Oriente Médio na economia global.

Com essa nova projeção, o Ministério da Fazenda admite que a inflação deve ultrapassar o teto da meta estabelecida. Desde o início de 2025, com a implementação do sistema de meta contínua, o objetivo central é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da margem de tolerância se variar entre 1,50% e 4,50%.

As novas previsões foram detalhadas no “Boletim MacroFiscal”, documento elaborado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. De acordo com a equipe econômica, embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha apresentado desaceleração em junho, os alimentos continuam sendo o principal fator de pressão sobre o índice acumulado no ano.

O governo destacou que as medidas dessazonalizadas — aquelas que consideram eventos extraordinários, como guerras — permanecem acima do padrão histórico. Sobre a dinâmica dos preços, o Ministério da Fazenda afirmou: “De maio a junho, observaram-se efeitos de segunda ordem nos preços de algumas cadeias produtivas, apesar do alívio recente nas cotações de petróleo, que tende a reduzir as pressões sobre os custos globais”.

Apesar do alívio pontual no petróleo, a pasta alerta que ainda é prematuro afirmar que os preços se estabilizaram. O relatório aponta que o cessar-fogo no Oriente Médio permanece frágil e que qualquer interrupção representa um risco de alta não contabilizado nas projeções atuais. Além disso, a necessidade de recomposição de estoques e danos à infraestrutura na região podem elevar novamente os custos do petróleo.

Outros fatores de risco foram citados, como a possibilidade de repasse de preços do atacado para o consumidor final, o que encareceria bens industriais, e a probabilidade de um fenômeno El Niño mais intenso. Segundo a Fazenda, embora o impacto climático seja mais severo na safra de 2027, ele já pode pressionar os preços dos alimentos ainda em 2026.

No campo do crescimento econômico, o Ministério da Fazenda manteve a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para este ano. Se confirmado, o número repetirá a taxa de crescimento registrada em 2025, indicando uma estabilidade apesar da desaceleração econômica.

A análise técnica indica que os indicadores coincidentes seguiram positivos no início do segundo trimestre. O IBC-Br, que funciona como uma prévia do PIB, avançou 1,2% no trimestre encerrado em abril de 2026. A indústria foi o principal motor desse impulso, embora tenha registrado recuo na margem mensal de maio, refletindo a queda no setor extrativo e a estabilidade na transformação.

Com informações do G1

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