A passagem de Clarice Lispector por Belém, em 1944, ocorreu em um contexto estratégico da Segunda Guerra Mundial. Aos 23 anos, a autora acompanhou o marido, o diplomata Maury Gurgel, que atuava na ligação entre o Itamaraty e autoridades americanas, aproveitando a importância da Base Aérea de Val-de-Cans para os Aliados

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Durante seus seis meses na capital paraense, Clarice mergulhou na cultura local. Ela frequentou o Theatro da Paz, visitou a Biblioteca Pública do Pará e desenvolveu uma amizade próxima com o professor e crítico literário Francisco Paulo Mendes, por quem nutria “enorme admiração pela cultura dele”.
O período foi crucial para sua carreira literária. Foi em Belém que a autora acompanhou a recepção de seu romance de estreia, ‘Perto de um Coração Selvagem’, e, hospedada no antigo Hotel Central, escreveu parte de ‘O Lustre’, sua segunda obra publicada

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Apesar da relevância, o historiador Aldrin Moura de Figueiredo avalia que a cidade não influenciou diretamente a ficção da autora, mas impactou suas lembranças pessoais. “Ela gostou muito da passagem por Belém. Apesar de ser muito jovem, foi muito acolhida pela cidade”, afirma o historiador.
Registros dessa época, como fotografias na Praça da República e cartas preservadas na Fundação Casa de Rui Barbosa, mantêm viva essa conexão. A história reforça como Belém foi ponto de passagem de grandes nomes da cultura brasileira, muitas vezes esquecidos pela memória coletiva

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Com informações do Portal Amazônia.