Representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) manifestaram-se, nesta terça-feira (21), contra a aplicação de reciprocidade tarifária por parte do governo brasileiro sobre produtos dos Estados Unidos exportados ao Brasil.
A posição foi apresentada durante reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Dario Durigan (Fazenda). O encontro faz parte de uma série de discussões promovidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) para mitigar os impactos do “tarifaço” imposto pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros.
Para o presidente da Abimaq, José Velloso, a resposta do Brasil não deve ser a taxação imediata. “A reciprocidade não é tão simples. Não somos favoráveis. Temos que continuar pela via diplomática e empresarial”, afirmou o executivo após a reunião.
Como alternativa ao embate tarifário, a Abimaq defendeu a ampliação do programa Brasil Soberano. A iniciativa prevê a oferta de linhas de crédito com condições mais favoráveis para as empresas que foram prejudicadas pela nova taxação norte-americana. O governo federal já sinalizou que deve reforçar esse programa de apoio financeiro.
Além do crédito, o setor solicita o fortalecimento das negociações diplomáticas e a busca por novos mercados consumidores, visando aumentar a competitividade da indústria nacional frente às barreiras externas.
Apesar do cenário desafiador, José Velloso destacou que as exportações do setor atingiram patamares recordes. “Estamos aumentando em 12% as exportações nos últimos 12 meses. Nunca exportamos tanto como agora, mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos”, declarou.
O ponto crítico, segundo a Abimaq, é que a tarifa adicional de 25% foi aplicada exclusivamente ao Brasil, o que prejudica a competitividade dos produtos nacionais. Na prática, as máquinas brasileiras tornam-se mais caras para o comprador americano do que produtos de outros países.
Velloso explicou que a situação seria menos grave se a sobretaxa fosse generalizada, como a de 12,5% aplicada a diversos países. “Quando a tarifa é para todos, o Brasil perde menos competitividade em relação aos outros fornecedores. O problema maior é quando a taxa é específica para o Brasil”, frisou.
A diversificação dos destinos das exportações tem sido a principal estratégia para compensar a queda nas vendas para os EUA. Para o presidente da Abimaq, a questão é mais política do que econômica: “Do ponto de vista econômico, não deveria haver tarifaço. Existe um componente político, e o que vai resolver isso é a diplomacia do Estado e a diplomacia empresarial”.
O governo brasileiro, que classificou a medida dos EUA como um “marco lastimável”, comprometeu-se a analisar as propostas do setor antes de definir a resposta oficial, que poderá incluir a Lei da Reciprocidade Econômica. A nova tarifa americana começou a vigorar nesta quarta-feira (22).
Com informações do G1