O consórcio de culturas, uma metodologia agrícola tradicional que consiste na combinação de diferentes plantações em uma mesma área, tem registrado um crescimento de adesão no centro-oeste de São Paulo. Essa estratégia de gestão produtiva visa elevar a produtividade por hectare, ampliar a rentabilidade do produtor e assegurar a manutenção da mão de obra ativa durante os diversos ciclos de colheita ao longo do ano.
Em Bocaina (SP), o agricultor Edwin Montenegro aplica essa técnica em uma área de 20 hectares, onde cultiva 10 variedades distintas. O produtor iniciou suas atividades em 2005 com o plantio de macadâmia, porém, devido ao ciclo de maturação da árvore, que leva aproximadamente quatro anos para começar a frutificar, ele optou por intercalar a lavoura com o cultivo de café.
De acordo com Edwin, essa decisão estratégica garantiu o fluxo de caixa e o retorno financeiro necessário enquanto a produção de macadâmia não atingia a maturidade. Entre as diversas experimentações realizadas na propriedade, as culturas que apresentaram os melhores resultados foram o feijão, o gergelim e o jambu, todos plantados nos intervalos entre as árvores de noz.
O engenheiro agrônomo Arnaldo Fernandes da Costa ressalta que, além do incremento no lucro, o sistema de consórcio proporciona vantagens ambientais significativas para o ecossistema local. “As plantas se ajudam, oferecendo conforto térmico e prevenindo erosão”, afirma o especialista.
Já em Itápolis (SP), o produtor Agnaldo Magalhães utiliza o consórcio entre o mamão e o ponkan. Nesse modelo de negócio, a receita obtida com a venda do mamão é utilizada para custear as despesas de produção da fruta cítrica. Desde o ano de 2024, o agricultor mantém sete tipos de culturas diferentes distribuídas em 10 hectares de terra.
Para o ciclo atual, Agnaldo planeja expandir suas inovações com a introdução de banana e cacau, com a previsão de implantar 2,6 mil pés de cacau. Segundo o produtor, a cultura da banana desempenha um papel fundamental ao garantir a sombra necessária, o que favorece o desenvolvimento saudável da lavoura de cacau.
Com informações do G1