Produtividade do leite cresce no Brasil com foco em genética e bem-estar

O setor de pecuária leiteira no Brasil apresenta um fenômeno interessante de eficiência produtiva: a produção de leite bate recordes mesmo com a redução do rebanho. Um exemplo emblemático ocorreu durante a 21ª Megaleite, em Belo Horizonte (MG), onde a vaca Jornada Montross FIV LPN estabeleceu um novo recorde mundial, produzindo 112,65 kg de leite em um único dia.

O desempenho da Jornada, que totalizou 337,95 kg em três dias de competição, reflete a aplicação de técnicas de manejo de alta performance. Segundo seu criador, Rodrigo Nogueira Ferreira, o animal recebe cuidados semelhantes aos de um atleta de alto rendimento, superando a média de outras vacas da mesma propriedade, que produzem cerca de 30 kg por dia.

Para Rui Verneque, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite, esses números eram impensáveis há duas décadas. “É um número muito alto. Se há 20 anos você falasse isso, a gente chamaria a pessoa de doido, estava sonhando e hoje já é realidade”, afirma o pesquisador.

Embora o recorde seja um caso isolado, ele sinaliza uma tendência macroeconômica do setor: o aumento da produtividade por animal. Nos últimos 24 anos, a produção de leite por vaca mais que dobrou no Brasil, impulsionada por três pilares principais: genética, bem-estar animal e nutrição.

No campo da genética, a seleção rigorosa transformou a produtividade. O gir leiteiro, raça zebuína, saltou de uma média de 2.000 kg para 5.000 kg por lactação (período de aproximadamente 10 meses). Já a raça girolando, resultado do cruzamento entre a raça holandesa e o gir leiteiro, mostrou-se altamente competitiva para o clima tropical brasileiro, com média de 7.000 kg por lactação.

“Um animal que não tem uma genética boa é praticamente impossível você conseguir chegar no resultado”, destaca Rodrigo Ferreira, reforçando que a base genética é o ponto de partida para a eficiência.

Além da genética, o controle do estresse térmico e ambiental tornou-se crucial. Animais de alta produtividade são mais sensíveis a variações de temperatura e ruídos. Verneque exemplifica a situação comparando o conforto animal ao uso de ar-condicionado para humanos: “Se você estiver com o ambiente com ar-condicionado, na temperatura que você gosta, está ótimo, não é isso? Agora, se você estiver em ambiente de calor extremo, você tem esse estresse térmico”.

Por fim, a evolução da dieta, com a combinação de pastagens aprimoradas (gramíneas e leguminosas) e rações com formulações nutritivas, fechou o ciclo de produtividade. Como a alimentação representa um dos principais custos de produção do leite, a precisão na dieta é fundamental para a viabilidade econômica da atividade.

Com informações do G1

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