Um levantamento arqueológico efetuado no Seringal do Jauari, localizado em Itacoatiara, no interior do Amazonas, comprovou a existência de um antigo cemitério indígena. Durante as atividades de escavação, a equipe de pesquisadores localizou quatro pontos com urnas funerárias, além de mais de 200 fragmentos de materiais arqueológicos.
A investigação teve início após o proprietário de uma área no sítio começar a erguer um muro, o que levou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a exigir um estudo prévio. Para garantir a preservação, o responsável contratou especialistas para um projeto de salvamento, visando minimizar intervenções no terreno. “Ele praticamente será um guardião desse sítio”, afirmou a engenheira ambiental Kesia Maia.

As urnas funerárias identificadas não serão removidas para que o contexto do sepultamento seja mantido. Segundo a arqueóloga Elaine Parintins, “é de fato um sítio arqueológico muito complexo e que conta um pouco da história pré-colonial, antes do contato com os europeus”. Além das urnas, foram coletadas peças de cerâmica e ferramentas que serão analisadas em laboratório da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
A descoberta complementa achados de 2012, quando uma urna com restos mortais de oito pessoas, incluindo duas crianças, foi encontrada a 200 metros dali. A expectativa dos especialistas é que vestígios de antigas habitações indígenas estejam situados nas proximidades do cemitério.

O município de Itacoatiara conta atualmente com 46 sítios arqueológicos registrados no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA). A preservação dessas áreas é fundamental para a memória da região, unindo a história dos povos originários à ocupação posterior, como a presença das seringueiras no Seringal do Jauari.
Como parte da conscientização local, estudantes da Escola Municipal Isaac Peres visitaram o local. A professora Lucifran Lima da Silva ressaltou que “é importante que essas crianças que estão crescendo saibam a sua história, o que aconteceu aqui, as urnas arqueológicas e o que elas significam”.
Com informações do Portal Amazônia.