Em “Por Você”, a ausência é trabalhada através de cores e memórias. Sob a direção artística de André Câmara, a nova novela das 7 usa o luto como ponto de partida para falar de amor, recomeços e pertencimento.
Câmara, que é diretor e ator recifense na Globo desde 2003, já passou por produções como “Avenida Brasil” e “Lado a Lado”. Ele também assinou a direção geral de “Novo Mundo” e “Um Lugar ao Sol”, além da direção artística de “Amor Perfeito” e “Volta por Cima”.
Neste novo projeto, ele busca unir o presente e a memória. Por isso, a trilha sonora, o figurino, a fotografia, a cenografia e a caracterização seguem a mesma linha criativa.
O branco como símbolo
A base visual da novela é a cor branca, mas não de um jeito frio. A ideia é usar texturas que remetam à memória, já que a história gira em torno da morte de Juli, que continua influenciando a todos.
“Mesmo quando ela não está mais em cena, permanece presente por meio da memória, dos sonhos, dos afetos e das transformações que provocou”, explica Câmara.
Enquanto o branco representa essa presença invisível, as cores surgem para simbolizar a vida, a infância, o desejo e a brasilidade, criando um contraste entre a vitalidade e a ausência.
Um novo olhar sobre o luto
A trama não trata a morte como um fim, mas sim como algo que gera transformações. Juli segue presente nas relações e nos espaços, e os flashbacks servem para mostrar esse vínculo, e não apenas para explicar o passado.
A direção quer criar uma experiência emocional profunda, mas sem perder o lado popular da novela, misturando temas acessíveis com conflitos humanos complexos.
Cenários com significado
A Vila Maravilha foi pensada para fugir do estereótipo de precariedade, sendo mostrada como um lugar de afeto, criatividade e pertencimento. Já a Zona Sul do Rio foge da idealização, focando em solidão e conflitos.
O Hospital & Maternidade Luz é outro ponto central, funcionando quase como um personagem. “A novela nasce de uma morte, mas se desenvolve dentro de uma maternidade”, define Câmara.
Lá, a personagem Bela, vivida por Sheron Menezzes, simboliza essa dualidade: como obstetra, ela traz novas vidas ao mundo enquanto lida com a perda da melhor amiga.
Memória e referências
Os flashbacks não são arquivos, mas sim expressões de afeto. Segundo o diretor, “memória não é arquivo; é afeto”, por isso as lembranças podem ser reorganizadas pelas emoções dos personagens.
Para montar esse visual, Câmara se inspirou no rigor de Stanley Kubrick, na precisão de Wes Anderson, nas cores de Andy Warhol e no lado humanista de “Paris, Texas” e Pedro Almodóvar.
A arte brasileira também está presente através de Fernanda Santos, cujas pinturas de pessoas negras trazem sofisticação e força, refletindo a vontade da novela de colocar seus protagonistas no centro de suas próprias trajetórias.
Com informações de O Fuxico.