Indicações Geográficas no Amazonas: o que muda para produtores locais

O Instituto Mamirauá, em conjunto com entidades públicas e organizações do setor, elaborou a Nota Técnica ‘Indicações Geográficas no Amazonas: subsídios técnicos para fortalecer a implementação das Indicações Geográficas do Amazonas’. O documento sistematiza as discussões do I Encontro das Indicações Geográficas, ocorrido em novembro de 2025, em Tefé, consolidando um diagnóstico inédito sobre o tema no estado.

O objetivo central é utilizar as Indicações Geográficas (IGs) como ferramentas de desenvolvimento regional, valorização de saberes tradicionais e aumento da renda. O texto aponta que o registro oficial, por si só, não garante lucro, sendo necessário superar gargalos de logística, infraestrutura, governança e assistência técnica para que os produtos alcancem mercados mais lucrativos

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Tabatha Benitz, coordenadora do Núcleo de Inovação e Tecnologias Sustentáveis (NITS) do Instituto Mamirauá, ressalta a importância de desmistificar a valorização automática do registro. “A gente precisa entender que a indicação geográfica é um instrumento para organizar as várias etapas que levam ao preço agregado. A IG ajuda a estruturar qualidade, produção, governança e controle para que esse valor seja conquistado ao longo do tempo e para isso é necessário apoio dos parceiros”, explica.

Atualmente, o Amazonas possui nove IGs, incluindo o Guaraná de Maués, a Farinha Uarini, o Abacaxi de Novo Remanso, o Waraná Andirá-Marau, o Pirarucu de Mamirauá, o Queijo de Autazes, o Açaí de Codajás e o Mel de Boa Vista do Ramos. Além disso, o artesanato Ticuna de Benjamin Constant está em processo de estruturação para se tornar a primeira IG de artesanato do estado

Farinha Uarini é reconhecida como Indicação de Procedência desde 2019. Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá.

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No Médio Solimões, destacam-se a Farinha Uarini e o Pirarucu de Mamirauá, ambos ligados a práticas sustentáveis e conhecimentos locais. Esses processos contam com o suporte técnico do NITS e da Incubadora Mamirauá para fortalecer a gestão das organizações responsáveis pelas certificações.

Publicada pela Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), a Nota Técnica servirá de base para a criação de políticas públicas e captação de investimentos. Segundo Benitz, o documento é um marco pois “organiza as demandas e oportunidades em um único documento, funcionando como um diagnóstico que poderá orientar políticas públicas, projetos e novos investimentos voltados às Indicações Geográficas”

Nota Técnica de Indicações geográficas foi construída a partir das discussões realizadas durante o I Encontro das Indicações Geográficas do Amazonas, quando representantes de todas as IGs do estado.
Nota Técnica de Indicações geográficas foi construída a partir das discussões realizadas durante o I Encontro das Indicações Geográficas do Amazonas, quando representantes de todas as IGs do estado. Foto: Tabatha Benitz/ Instituto Mamiraúa

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Com informações do Portal Amazônia.

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