Você abre o Instagram e encontra a postagem de um político. Ao migrar para o Facebook, vê um vídeo do mesmo candidato e, no TikTok, a situação se repete. Mas você já se perguntou por que isso acontece?
A explicação está nos algoritmos, que são sistemas programados para identificar as preferências de cada usuário e entregar conteúdos personalizados.
Para ajudar o cidadão a compreender esses processos, o g1 preparou uma série de 50 vídeos sobre as eleições de 2026. O material detalha desde o funcionamento das pesquisas e o papel dos cargos em disputa até orientações práticas para votar, abordando também tecnologias como inteligência artificial, deepfakes e a atuação de influenciadores.
Na prática, se você interage com mais frequência com as publicações de um candidato X do que de um candidato Y, a plataforma naturalmente passará a exibir mais posts do primeiro.
Para facilitar a compreensão, imagine o algoritmo como um vendedor de loja que observa cada passo seu: em quais prateleiras você para, quais produtos analisa com calma e o que decide devolver. Na visita seguinte, esse vendedor já saberá exatamente o que oferecer.
De modo geral, os algoritmos analisam sinais como o tempo de visualização de um vídeo, curtidas, compartilhamentos, perfis seguidos e as pesquisas realizadas dentro da própria rede social.
Além disso, quando o sistema detecta que um conteúdo tem potencial para atrair muitas pessoas, ele o recomenda para um público maior, aumentando as chances de a publicação viralizar.
A principal crítica a esses mecanismos é a falta de transparência. “Deveria ser muito mais claro qual o tipo de abordagem o algoritmo está usando e se existe algum tipo de viés no momento da entrega da informação”, pontua a advogada Patrícia Peck, especialista em direito digital.
Sobre a influência nas eleições, Peck afirma que os algoritmos não têm a capacidade de escolher governantes, mas possuem um grande poder de filtrar quais informações chegam ao eleitor.
“Essa influência ocorre porque o algoritmo consegue ‘achar as pessoas’ no ambiente digital com muito mais facilidade do que humanos no ambiente presencial”, explica a especialista.
Outro mecanismo de alcance é o impulsionamento, que ocorre quando há pagamento para que um post seja exibido a mais usuários. Partidos e candidatos podem pagar por essa promoção, mas apenas durante o período oficial de campanha, seguindo as normas de transparência do TSE.
É importante destacar que o impulsionamento de propaganda negativa — críticas a adversários — é proibido, assim como o pagamento feito por perfis de pessoas jurídicas, como empresas, para promover conteúdo eleitoral.
Enquanto a distribuição orgânica privilegia o engajamento (curtidas e comentários), o conteúdo impulsionado chega ao público definido pelo anunciante, independentemente de interesse prévio.
Segundo a especialista, o eleitor muitas vezes não consegue diferenciar o que é orgânico do que foi pago. “Nós ainda temos um desafio grande para conquistar um padrão mínimo de transparência no ambiente das plataformas e das mídias sociais. Se nós melhorássemos essa calibragem, nós podíamos estar garantindo que a pessoa visse pelo menos duas, três visões, em vez de apenas uma”, conclui.
Com informações do G1