Paula Fernandes fala sobre machismo, depressão e critica a IA na música

Paula Fernandes resolveu abrir o coração e relembrar fatos marcantes de sua trajetória antes de retornar ao palco da Festa do Peão de Barretos. Dez anos depois de sua última vez no evento, a artista revisitou feridas antigas e trouxe revelações fortes sobre os bastidores do mundo sertanejo.

Aos 41 anos, a cantora conversou com a BBC News Brasil e abordou temas como exaustão, depressão, ataques e o machismo que enfrentou antes de alcançar a fama.

Paula, que é vista como alguém que abriu portas para outras mulheres no gênero, lembrou do estranhamento que causava nos bastidores por volta de 2011. Na época, ela chegou a fazer 220 shows em um único ano, lidando com uma estrutura feita quase só para homens.

“Não consigo descrever o olhar de espanto de quando eu chegava. ‘Por que ela pediu um banheiro no camarim? Por que pediu um espelho?’”, contou a artista.

Para ela, pedidos simples eram vistos como luxo. “Pedir um palco sem buracos para usar salto são necessidades femininas, não luxo”, afirmou.

A cantora também relembrou que era rotulada como “antipática” e “chata”, além de enfrentar boatos sobre sua vida amorosa. “Me deram cinco namorados em uma semana. Aí a frase era: ‘boazinha, mas passa o rodo, né?’. E eu solteira, super quietinha”, recordou.

Além disso, Paula falou sobre a juventude difícil, marcada por pobreza extrema em Minas Gerais, onde vivia em uma casa sem luz ou banheiro, e a luta contra a depressão. Aos 18 anos, ela chegou a tentar tirar a própria vida.

Ela destacou que sua mãe, Dona Dulce, foi fundamental para sua sobrevivência: “Se não fosse por ela, eu tinha pulado aquela janela. Com 18 anos, eu escolhi uma janela para pular, e minha mãe falou: ‘se você pular, eu vou pular antes’. Minha mãe me salvou milhões de vezes”.

Sobre a tecnologia, Paula foi categórica ao criticar a inteligência artificial na composição musical. “Me nego. Como criadora, é inadmissível usar uma vírgula do Chat. É um crime contra minha natureza”, disparou.

Segundo a artista, a IA não possui a profundidade necessária para emocionar o público. “A IA não tem profundidade. Para emocionar, tem que ser humano, vulnerável, profundo”, explicou.

Por fim, a cantora comentou a pressão para que artistas se posicionem politicamente. Sendo apartidária, ela defende que o voto deve ser secreto. “Eu sou uma representante da poesia, da arte, e a arte é universal. Eu não me sinto apta a fazer isso. Na hora do meu voto, ele é meu voto”, declarou.

Com informações de O Fuxico.

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