Gastos de brasileiros no exterior batem recorde de US$ 2,45 bilhões em julho

Os brasileiros gastaram US$ 2,45 bilhões em viagens e serviços no exterior durante o mês de julho, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira (27). O montante representa o valor mais alto já registrado desde que a instituição iniciou a série histórica, em janeiro de 1995.

O recorde anterior havia ocorrido em julho de 2014, quando as despesas somaram US$ 2,41 bilhões. O novo pico reflete a combinação de fatores sazonais e a dinâmica do câmbio.

A redução na cotação da moeda norte-americana foi um dos principais motores desse aumento. O dólar encerrou o mês de julho cotado a R$ 5,0696, apresentando uma queda de 7,64% no acumulado parcial do ano. Como passagens aéreas, hospedagens e compras internacionais são precificados em moeda estrangeira, a desvalorização do dólar torna esses itens mais acessíveis, incentivando o consumo.

Além do câmbio, o período de férias escolares, caracterizado como “alta temporada”, intensificou as viagens em família. Outro ponto relevante é o desempenho da economia nacional. Embora o país apresente uma desaceleração no momento, analistas projetam que o Produto Interno Bruto (PIB) volte a expandir em 2026.

No total dos sete primeiros meses do ano, os gastos de brasileiros fora do país atingiram US$ 15,1 bilhões, estabelecendo também um recorde histórico para esse intervalo de tempo.

Sobre as contas externas, o Banco Central informou que o déficit recuou 9,6% no mesmo período. O déficit ocorre quando as despesas superam as receitas. A conta de transações correntes, indicador essencial do setor externo, fechou com saldo negativo de US$ 35,97 bilhões entre janeiro e julho, comparado ao rombo de US$ 39,78 bilhões no ano anterior.

Esse resultado é composto pela balança comercial (troca de mercadorias), pelos serviços adquiridos no exterior e pelas rendas, que incluem a remessa de lucros, dividendos e juros. O BC ressalta que o tamanho desse déficit está ligado ao crescimento econômico: quando a economia cresce, a demanda por produtos e serviços estrangeiros aumenta; com a desaceleração, a tendência é de redução do déficit.

Apenas em julho, o déficit em transações correntes foi de US$ 8,11 bilhões, superando os US$ 6,944 bilhões registrados em julho do ano passado.

Por outro lado, os investimentos estrangeiros diretos no Brasil cresceram. Entre janeiro e julho de 2026, o país atraiu US$ 54,44 bilhões, contra US$ 43,74 bilhões no mesmo período do ano anterior. Esse fluxo de capital foi suficiente para financiar o déficit das transações correntes do período. Especificamente em julho, esses investimentos somaram US$ 7,46 bilhões, valor inferior aos US$ 8,4 bilhões de julho de 2025.

Com informações do G1

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