Combustível de avião sobe 53% no ano e pode encarecer passagens aéreas

O valor do querosene de aviação (QAV) comercializado pela Petrobras para as distribuidoras terá um reajuste de 13,9% em setembro. Na prática, isso representa um acréscimo de R$ 0,68 por litro em comparação ao mês anterior.

Essa elevação pode gerar pressão nos preços das passagens aéreas nos próximos meses. O motivo é que o combustível é um dos componentes mais pesados na planilha de custos das companhias aéreas, representando aproximadamente 30% das despesas operacionais.

De acordo com a Petrobras, a alta é um reflexo da valorização do combustível de aviação no mercado internacional, que vem sendo impactada pelos conflitos no Oriente Médio. Os preços do QAV passam por reajustes mensais, conforme estabelecido nos contratos firmados entre a estatal e as distribuidoras.

No acumulado de 2026, o preço do querosene de aviação já registrou uma alta de 53,3%, o que equivale a um aumento de R$ 1,94 por litro quando comparado a dezembro de 2025.

Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, embora a alta pressione os custos, isso não implica que as tarifas para o consumidor final subirão na mesma proporção. O preço das passagens é influenciado por diversas variáveis econômicas e de mercado.

Entre os fatores que determinam o valor final do bilhete estão a demanda por voos, a taxa de ocupação das aeronaves, a concorrência entre as empresas do setor, a cotação do dólar e a antecedência com que a compra é realizada.

Devido a esses fatores, o repasse do custo do combustível pode variar dependendo da rota escolhida e do momento da reserva. “O repasse também não costuma acontecer de uma hora para outra. Ele tende a aparecer gradualmente nas próximas semanas e meses, principalmente nas novas tarifas colocadas à venda”, afirma Murad.

A Petrobras também comunicou que retomará, em setembro, o programa de parcelamento de reajustes para as distribuidoras. A medida permite que o aumento seja dividido em três parcelas mensais, visando amortecer o impacto financeiro causado pelas oscilações do mercado global.

Diante desse cenário de instabilidade internacional, a recomendação para os passageiros é evitar a compra de passagens de última hora. Murad sugere que o consumidor pesquise valores com antecedência, monitore as tarifas por alguns dias, mantenha flexibilidade de datas e compare opções em aeroportos próximos.

Além disso, é fundamental analisar o custo total da viagem, incluindo taxas de bagagem e serviços adicionais. O especialista alerta para o risco de esperar por uma queda nos preços caso o combustível recue.

“Se as tensões internacionais continuarem e o QAV permanecer pressionado, as empresas terão cada vez mais dificuldade de absorver esse custo sem algum repasse ao consumidor”, diz Fábio Murad.

Gustavo Assis, CEO da Asset, reforça a importância do planejamento financeiro. Ele defende que a viagem seja tratada como uma despesa programada, com a reserva de fundos antecipada para evitar que o gasto comprometa o orçamento familiar.

Com informações do G1

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