O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta segunda-feira (31), um conjunto de ações destinadas a apoiar os pecuaristas e expandir o rebanho bovino do país, que atualmente registra o menor volume dos últimos 75 anos.
A estratégia governamental contempla a oferta de crédito para pequenos frigoríficos, a ampliação de áreas destinadas à pastagem e a implementação de diretrizes para que a carne produzida em solo americano tenha prioridade nas compras governamentais.
O programa, denominado Ranchers First Initiative, foi apresentado pela secretária de Agricultura, Brooke Rollins. A iniciativa surge em um cenário de alta nos preços da carne bovina e sob a pressão do governo de Donald Trump para reduzir o custo do alimento para a população.
Queda no rebanho e impacto nos preços
Nos últimos anos, o rebanho bovino dos Estados Unidos sofreu uma redução significativa, motivada principalmente por períodos de seca e pela diminuição de terras disponíveis para a criação de gado.
Com a menor oferta de animais para o abate, a disponibilidade de carne no mercado caiu, provocando a subida dos preços. Diante disso, a administração americana busca agora incentivar os produtores a aumentarem seus rebanhos.
Entre as medidas, destaca-se a facilitação do acesso ao crédito para frigoríficos de pequeno porte, com o objetivo de ampliar a capacidade de processamento e combater a concentração econômica no setor.
Preferência pela produção nacional
O plano também estabelece a ampliação do uso de carne produzida nos Estados Unidos em instituições públicas, como presídios, hospitais e escolas. Essa estratégia visa fortalecer os produtores locais e estimular a demanda interna.
Além disso, o governo pretende liberar o acesso de pecuaristas a certas áreas de conservação que foram atingidas por incêndios e desastres naturais, permitindo que esses espaços sejam utilizados para pastagem.
O dilema entre importação e produção interna
O anúncio ocorre enquanto o governo americano lida com um impasse econômico: a necessidade de elevar a produção doméstica simultaneamente à busca por ampliar a oferta de carne importada para conter a inflação de curto prazo para o consumidor.
Recentemente, Trump oficializou a ampliação de cotas de importação de carne bovina estrangeira. A lógica é aumentar a oferta imediata para baixar os preços, embora a maior concorrência com produtos importados possa reduzir a rentabilidade dos pecuaristas americanos no momento em que são incentivados a expandir a criação.
Impactos para o mercado brasileiro
O Brasil, como um dos principais fornecedores de carne bovina para os Estados Unidos, é diretamente afetado por essas oscilações na política comercial americana.
Se, por um lado, a demanda por abastecimento imediato favorece as exportações brasileiras, por outro, o plano de reconstrução do rebanho indica que os EUA pretendem reduzir a dependência de importações no futuro.
Adicionalmente, o governo americano tem defendido maior concorrência no processamento de carnes, pressionando grandes frigoríficos. No mercado dos Estados Unidos, operam gigantes brasileiras como a JBS e a Marfrig (MBRF).
O desafio estratégico de Trump
A administração Trump tenta solucionar dois problemas distintos: a redução imediata do preço da carne para o consumidor e o crescimento da produção nacional para os próximos anos.
Para o curto prazo, a solução passa pelo aumento da oferta via importações. Já a expansão da produção interna depende de medidas estruturais de longo prazo, como o incentivo ao aumento dos rebanhos e a melhoria da infraestrutura de processamento nos Estados Unidos.
O pacote anunciado nesta segunda-feira foca especificamente nesta segunda frente, visando a soberania e o crescimento da produção de carne dentro do território americano.
Com informações do G1