A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) comunicou nesta quarta-feira (2) uma mudança em sua alta gestão. Benjamin Steinbruch deixará a presidência executiva da empresa para assumir a liderança do Conselho de Administração. O cargo de presidente executivo da CSN será ocupado por Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale, a partir de quinta-feira (3).
Com essa nomeação, o executivo retorna à gestão de uma das maiores corporações do Brasil. A mudança ocorre sete anos após sua saída da presidência da Vale, período marcado pelas consequências do rompimento da barragem em Brumadinho, Minas Gerais.
Schvartsman possui formação e pós-graduação em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da USP, além de especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Sua trajetória profissional inclui décadas de experiência em grandes companhias. O executivo atuou por 10 anos na Duratex e dedicou 22 anos ao Grupo Ultra, onde exerceu os cargos de sócio-diretor da Ultra S.A. e diretor financeiro da holding Ultrapar, deixando o grupo em 2007.
Posteriormente, Schvartsman esteve à frente da Telemar Participações e da San Antonio Internacional. Entre 2011 e 2017, presidiu a Klabin, empresa do setor de papel e celulose.
Na Vale, Schvartsman assumiu a presidência executiva em 23 de maio de 2017, sucedendo Murilo Ferreira. Sua missão inicial era liderar a reorganização da companhia e adequar a carteira de ações aos padrões do Novo Mercado da bolsa de valores.
Durante sua administração, a mineradora ampliou os investimentos em segurança de barragens e revisou a gestão de riscos com o apoio da consultoria Deloitte. O executivo adotou a diretriz “Mariana nunca mais”, em referência ao desastre de 2015 em Mariana (MG). Contudo, sua gestão foi interrompida quatro anos depois por nova tragédia.
O rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, ocorreu em 25 de janeiro de 2019, resultando em 270 mortes e severos danos ambientais. Cerca de um mês após o acidente, Schvartsman deixou o cargo, sendo substituído por Eduardo Bartolomeo.
Em depoimento à CPI do Senado em março de 2019, o executivo declarou que a Vale utilizava laudos de estabilidade de auditorias externas e que não possuía avisos prévios sobre riscos iminentes, mencionando ainda a realização de pagamentos emergenciais às vítimas.
No âmbito jurídico, o Ministério Público Federal denunciou Schvartsman e outras 15 pessoas em janeiro de 2023. A Justiça Federal aceitou a denúncia, tornando-o réu por crimes ambientais e homicídio duplamente qualificado, com dolo eventual.
Embora o Tribunal Regional Federal da 6ª Região tenha concedido habeas corpus em março de 2024 para trancar as ações, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, em abril, restabelecer os processos por considerar suficientes os indícios apresentados pelo MPF.
Em 7 de maio, a Justiça Federal reincluiu formalmente Schvartsman nas ações. Atualmente, seus processos correm de forma separada dos demais réus, com ações distintas para os crimes ambientais e para o homicídio.
Com informações do G1