O Banco Central (BC) avaliou nesta quarta-feira (2) que, devido à alta taxa de juros no país, o “endividamento continua pressionando a condição financeira de famílias e empresas”.
Atualmente, a taxa básica de juros da economia está em 14% ao ano, um patamar elevado que tem como objetivo principal conter a inflação. Tanto analistas de mercado quanto o próprio BC indicam que estímulos vindos do governo têm pressionado os preços no país.
Por meio da ata de reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), ocorrida no final de agosto, a autarquia informou que está elaborando medidas para “mitigar riscos” causados pela forte presença de linhas de crédito mais caras na composição das dívidas das famílias.
De acordo com a instituição, “essas medidas visam promover o reconhecimento tempestivo dos riscos, o acúmulo gradual de capital e condições mais sustentáveis de oferta de crédito aos tomadores”.
Em relação ao cenário internacional, marcado pelo crescimento das tensões devido à guerra no Oriente Médio, o BC afirmou estar acompanhando a evolução dos contextos doméstico e externo. A instituição ressaltou que “segue preparado para atuar, de forma a minimizar eventual contaminação desproporcional sobre os preços dos ativos locais”.
O órgão destacou ainda que “o Comitê segue entendendo que políticas macroeconômicas que aumentem a previsibilidade fiscal [das contas públicas], que reduzam os prêmios de risco [juros altos] e a volatilidade dos ativos contribuem para a estabilidade financeira e, consequentemente, melhoram a capacidade de pagamento dos agentes”.
Endividamento em alta
O Banco Central observou que o nível de endividamento das famílias permanece em patamares historicamente elevados, destacando que o comprometimento da renda atingiu o maior nível já registrado na série histórica.
“Esse quadro segue sendo influenciado pela participação relevante de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias. Na visão do Comitê, o cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito”, afirmou o BC.
Ao analisar a situação das empresas, a autoridade monetária notou que, embora a maioria das pessoas jurídicas demonstre resiliência, houve uma queda no número de companhias com crescimento do lucro líquido. Simultaneamente, cresceu a quantidade de empresas com aumento nas despesas financeiras.
Por fim, o Banco Central alertou que “níveis elevados de ativos problemáticos e de probabilidade de ‘default ‘seguem indicando que a materialização de risco no crédito às empresas e às famílias deve permanecer elevada”.
Com informações do G1