A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou o bloqueio de ligações de duas companhias que realizaram, juntas, mais de 4,3 milhões de chamadas adulteradas. A prática, tecnicamente chamada de spoofing, ocorreu entre setembro de 2025 e junho de 2026.
Em nota publicada na última quarta-feira (16), a Anatel revelou que esses números fazem parte de um montante muito maior, que ultrapassa 203 milhões de ligações adulteradas. Como a agência não conseguiu localizar a origem de todo esse tráfego, exigiu que as operadoras realizem o rastreamento.
As empresas identificadas pela agência foram a Voros Telecomunicações, que presta serviços para companhias com alto volume de chamadas, e a ELO Contact Center, que atua no telemarketing para a operadora TIM.
No caso da Voros, a Anatel concluiu que a empresa operava serviços de telecomunicações de forma clandestina. Por conta disso, a decisão proíbe que as operadoras Foco, Datora e Algar cedam parte de sua capacidade de tráfego para a companhia.
Já em relação à ELO Contact Center, a agência afirmou que a empresa desrespeitou as normas do setor ao efetuar ligações com numerações fora dos padrões estabelecidos. Uma segunda determinação obriga a TIM, parceira da ELO, a bloquear as chamadas originadas nessa central no prazo de 30 dias.
De acordo com a Anatel, tais medidas têm o objetivo de combater ligações com a identificação de origem alterada ilegalmente. O órgão ressalta que a prática “dificulta a identificação do efetivo originador das comunicações e pode ser utilizada em fraudes ou outras condutas irregulares”.
Sobre a exigência de rastreamento, a Anatel apontou que as operadoras Surf Telecom, Itelco, Algar e TIM registraram um volume expressivo de tráfego irregular. Elas deverão entregar, em até 30 dias, relatórios detalhando a origem das chamadas adulteradas sinalizadas.
A Voros Telecomunicações defendeu-se alegando que não oferece serviços de chamadas para a rede pública e que a responsabilidade pela identificação da origem cabe às operadoras parceiras.
A ELO Contact Center informou à Anatel que as falhas foram causadas por um fornecedor e que já implementou correções. A TIM, por sua vez, declarou que não tinha controle sobre o erro e que aplicou sanções contratuais à empresa parceira.
As empresas Algar e Surf alegaram que as ligações adulteradas resultaram de contratos de intermediação com terceiros, não partindo de suas redes próprias. A Itelco não respondeu às notificações enviadas pela agência.
Com informações do G1