Umidade e falta de sol elevam demanda por lavanderias no Centro-Sul

A persistência de chuvas e os altos índices de umidade que afetam a região Centro-Sul do Brasil há quase duas semanas têm provocado alterações significativas na rotina da população. Em São Paulo, onde o mês de setembro registrou o volume de chuvas mais elevado dos últimos 80 anos, a tarefa doméstica de secar roupas tornou-se um desafio logístico para os moradores.

Diante da escassez de sol e da frequência das precipitações, os varais domésticos ficaram saturados, levando os consumidores a buscarem alternativas como lavanderias profissionais e a compra de secadoras para garantir a disponibilidade de suas vestimentas.

A previsão meteorológica indica que a intensidade das chuvas deve aumentar na Região Sul a partir desta sexta-feira (18), ampliando a pressão sobre esses serviços.

Em São Paulo, a situação de Roberta exemplifica o cenário: suas roupas estão acumuladas no varal há quase sete dias. Sem a secagem natural, ela optou por utilizar serviços externos. “No último caso, eu levo na lavanderia, só para secar mesmo, na secadora.”, afirma.

Já em São José dos Campos, no interior paulista, Vanessa precisou improvisar a secagem dentro da cozinha, o que compromete a circulação no ambiente. “Vai cozinhar, vai lavar uma louça, vai lavar uma roupa, tudo atrapalha.”, relata.

De acordo com dados do Climatempo, a passagem de seis frentes frias em um intervalo de 15 dias provocou a instabilidade climática no Centro-Sul. Esse cenário de baixa temperatura e alta umidade impulsionou a procura por soluções tecnológicas e de serviços para a secagem de tecidos.

O impacto no comportamento do consumidor é evidenciado por dados de buscas na internet. A procura pelo termo “lavanderia perto de casa” apresentou um crescimento superior a 5.000% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Paralelamente, as pesquisas por “secadora de roupas” subiram 350%, enquanto a frase “pode secar roupas” teve alta de 600%.

Essa mudança de hábito levou muitos clientes a contratarem lavanderias exclusivamente para a etapa de secagem. Em uma unidade da capital paulista, a demanda cresceu ao menos 50% em relação ao mês anterior. “O tempo está 100% úmido, né? E a gente não pode parar, tem que lavar roupa sempre”, comentou um cliente.

Em Sorocaba, o volume de clientes praticamente dobrou. Geórgia Guazzelli, proprietária de uma lavanderia, explica a vantagem do serviço: “A secagem é muito mais rápida e precisa e não fica com aquele cheiro da umidade que acaba pegando na roupa por você deixar secando no varal em casa”.

Em São José dos Campos, a tendência se repete, especialmente para itens volumosos. “A demanda foi maior, trazendo as roupas de cama, as toalhas de banho, porque realmente não tem como secar em casa, né?”, relata a empresária Liliane da Silva Souza.

Segundo levantamento do Sebrae, o Brasil possui cerca de 27 mil lavanderias, das quais aproximadamente 3 mil operam no modelo self-service. O aumento do fluxo de clientes é sentido em diversas capitais. Em Curitiba, a instabilidade do tempo é vista como um fator positivo para o faturamento do setor. “A gente torce às vezes para o tempo dar uma pioradinha aí para dar uma ajuda.”, afirma um empreendedor local.

Com informações do G1

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