Cade apura se Azul e American Airlines agiram em conjunto antes da aprovação do acordo. Denúncia é de entidade de defesa do consumidor
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aceitou uma petição que aponta para uma possível atuação conjunta entre Azul e American Airlines antes da autorização formal do órgão. A análise foi iniciada após indícios apresentados pelo Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo).
De acordo com o IPSConsumo, as empresas podem ter adiantado a execução do acordo, agindo de forma coordenada antes da aprovação do Cade, em 2 de março de 2026. A legislação brasileira atribui ao Cade a responsabilidade de analisar previamente operações que possam impactar a concorrência no mercado.
Entre os indícios levantados estão a eleição do executivo da American Airlines, Jeff Ogar, para o Conselho de Administração e o Comitê Estratégico da Azul; a assinatura de um contrato que concede à American o direito de adquirir participação acionária na Azul; e declarações de executivos da Azul que sugerem a participação prévia de representantes da American e da United em decisões estratégicas durante a recuperação judicial da Azul nos Estados Unidos.
“O Cade deve analisar a concorrência nas rotas, a conectividade, os preços, a integração de malhas e os possíveis efeitos indiretos por meio de alianças globais, considerando o novo cenário da Azul sob influência simultânea de American e United e as relações cruzadas com a Gol”, afirmou a presidente do IPSConsumo, Juliana Pereira, em nota.
O relator no Cade, conselheiro Diogo Thomson de Andrade, aceitou a denúncia como formal em 4 de março, entendendo que há elementos suficientes para uma análise mais aprofundada. O caso foi encaminhado à Superintendência-Geral do Cade, responsável por avaliar a necessidade de abrir uma investigação e definir as medidas a serem tomadas.
A decisão do Cade foi confirmada por unanimidade pelos demais conselheiros em sessão virtual realizada em 16 de março de 2026. É importante ressaltar que o envio do caso para análise não implica em irregularidade comprovada. A Superintendência-Geral avaliará as informações e determinará os próximos passos.
Procuradas pelo g1, a Azul informou que não se manifestará sobre o assunto, enquanto a American Airlines não respondeu aos questionamentos da reportagem até o momento da publicação.
Com informações do G1