As contas de energia elétrica devem apresentar um alívio temporário em agosto graças ao bônus da usina de Itaipu. Segundo a análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a medida deve reduzir o impacto do setor elétrico sobre a inflação do mês.
O bônus é a forma legal de devolver aos consumidores os excedentes financeiros da operação de Itaipu, a hidrelétrica administrada conjuntamente por Brasil e Paraguai. O valor total do benefício, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é de R$ 872,1 milhões.
O crédito será aplicado diretamente na fatura de energia emitida entre 1º e 31 de agosto, sem a necessidade de cadastro ou solicitação por parte do usuário. O valor do desconto varia conforme o consumo de cada unidade consumidora.
A medida chega em um momento de pressão nos preços. Dados da inflação referentes a julho, divulgados nesta terça-feira (11), indicam que o grupo de despesas com habitação — que engloba a energia elétrica — registrou a maior alta entre os grupos pesquisados, com variação de 0,99%.
A energia elétrica residencial subiu 3,09% em julho, após ter registrado alta de 1,53% em junho. Esse movimento foi determinante para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, respondendo sozinho por 0,13 ponto percentual do índice.
Nos primeiros sete meses do ano, o custo da energia foi influenciado pelas bandeiras tarifárias. Foram quatro meses de bandeira verde (sem custos adicionais) e três meses de bandeira amarela, que acrescenta R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
Fernando Gonçalves, gerente do IBGE, explica que a cobrança adicional das bandeiras tarifárias já representa um diferencial na conta do consumidor final. A esse efeito se somam os reajustes concedidos pelas concessionárias.
De acordo com o gerente, desde abril diversas distribuidoras aplicaram reajustes, a maioria já incorporada ao cálculo da inflação. “De abril para cá, as concessionárias concederam reajustes e, boa parte delas, já foi apropriada”, explicou Gonçalves ao g1. Ele destacou que, em julho, Curitiba teve um reajuste expressivo, sendo o maior até o momento.
O IBGE observa que o bônus de Itaipu gera um efeito cíclico: há uma queda na inflação do setor no mês da apropriação do crédito, seguida por uma alta no mês seguinte, já que o benefício é pontual.
Para ter direito ao bônus, o consumidor das classes residencial ou rural deve ter registrado consumo inferior a 350 kWh em pelo menos um mês de 2025. O crédito será referente aos meses em que o consumo permaneceu abaixo desse limite.
Com informações do G1