Dívida alta e crise: entenda a relação com o IPO da Compass

Cosan busca alívio financeiro com IPO da Compass após crise e endividamento. Entenda os impactos e os desafios da holding

A Compass, empresa de gás e energia com participação na Comgás, estreou na bolsa brasileira nesta segunda-feira (11). A operação representa uma tentativa da Cosan, sua controladora, de mitigar os efeitos de uma crise financeira que afeta seus resultados há mais de dois anos.

O início da crise na Cosan, holding de infraestrutura e energia, foi gradual, com decisões estratégicas questionáveis tomadas entre o fim de 2022 e o início de 2023. A empresa já enfrentava um alto endividamento para financiar expansão e aquisições, e o modelo de negócio se mostrou insustentável.

Em 2024, as dívidas começaram a pesar, gerando problemas financeiros, estratégicos e operacionais. Um ponto crítico foi a compra de uma participação relevante na Vale no quarto trimestre de 2022. A ideia era investir em empresas sólidas em setores estratégicos para o Brasil, elevando a dívida bruta em 30%, para R$ 70,7 bilhões. A expectativa era lucrar com a valorização das ações e dividendos, além de influenciar a mineradora. No entanto, o desempenho da Vale foi fraco em 2024, com uma queda de 23,2% nas ações devido ao recuo do preço do minério de ferro.

A alta da taxa básica de juros também agravou a situação. A dívida para adquirir a participação na Vale ficou mais cara, tornando o investimento oneroso. A Cosan então anunciou a venda de parte de sua participação na Vale em abril de 2024, levantando cerca de R$ 2 bilhões. Essa movimentação coincidiu com os primeiros sinais de deterioração financeira da Raízen, empresa fundada em parceria com a Shell. A Cosan registrou um prejuízo líquido de R$ 9,4 bilhões em 2024 e sinalizou a venda total de sua participação na Vale para reduzir o endividamento. Rodrigo Araújo, então vice-presidente financeiro, afirmou que a empresa havia registrado ganhos contábeis de R$ 5 bilhões com a participação, mas as ações foram vendidas por um valor inferior ao registrado em balanço.

A Raízen, que estreou na bolsa em 2021 com uma estratégia de expansão acelerada, também enfrentou dificuldades. Além dos juros altos, a empresa viu seus resultados financeiros e operacionais piorarem a partir de 2024, em parte devido a eventos climáticos que afetaram a produtividade agrícola. A Raízen reportou lucro líquido de R$ 614,2 milhões no ano-safra 2023/24, uma queda de 75,5% em relação ao ciclo anterior, e prejuízo de R$ 4,2 bilhões no ano-safra 2024/25. Dados recentes apontam um prejuízo de R$ 19,8 bilhões nos nove primeiros meses do ano-safra 2025/26, levando a empresa a entrar com pedido de recuperação extrajudicial em março deste ano, com dívidas superiores a R$ 65 bilhões. A situação da Raízen impactou diretamente os resultados da Cosan.

Diante desse cenário, o IPO da Compass surgiu como uma das saídas para a crise financeira da Cosan. Ao contrário de outras estreias na bolsa, o objetivo da operação não era expansão, mas sim reforçar o caixa e aliviar a pressão financeira sobre a holding. Com o IPO, a Cosan reduziu sua participação na Compass de 88% para cerca de 75%.

Com informações do G1

Deixe um comentário