EUA propõem sobretaxa de 12,5% para produtos do Brasil e China

O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre as importações de cerca de 60 economias, incluindo Brasil e China. A medida é uma resposta a uma investigação americana que concluiu que esses países falharam em proibir e fiscalizar a entrada de mercadorias produzidas por meio de trabalho forçado.

A China, principal alvo da tensão comercial, reagiu prontamente nesta quarta-feira (3). O governo chinês rejeitou as alegações de Washington e afirmou que a medida é unilateral e sem base factual. “Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política”, declarou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, em coletiva de imprensa.

Para o Brasil, a situação é preocupante. O relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) aponta que o país não possui mecanismos eficazes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho escravo moderno em outras nações. Segundo os EUA, essa lacuna gera uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos, além de alimentar cadeias de produção globais antiéticas.

A proposta de sobretaxa baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a mesma ferramenta jurídica utilizada para justificar a proposta de uma tarifa de 25% contra produtos brasileiros. No momento, ainda não há clareza se as tarifas de 12,5% serão cumulativas com as taxas já existentes.

Além de Brasil e China, outras potências econômicas como Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul também estão na lista. O governo britânico informou que mantém diálogo com Washington e que já adota medidas para combater o trabalho forçado em suas cadeias de produção domésticas e globais.

Os mercados financeiros da Ásia reagiram de forma mista ao aumento da tensão comercial. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 1,6%. Já na China continental, as bolsas fecharam em leve alta: o CSI300 avançou 0,5% e o índice de Xangai subiu 0,2%. O setor de semicondutores foi o destaque positivo, impulsionado pela demanda global por inteligência artificial.

Apesar do cenário de conflito, dados econômicos indicam que o setor de serviços chinês teve o crescimento mais forte em três meses em maio, refletindo a melhora na demanda externa. Analistas do Goldman Sachs mantiveram a visão positiva sobre as ações chinesas A-share, destacando o potencial de crescimento do setor tecnológico.

A proposta de sobretaxa ainda não entrou em vigor. O governo dos Estados Unidos abrirá um período para contribuições públicas até o dia 6 de julho e realizará audiências em 7 de julho antes de tomar a decisão final sobre a implementação das tarifas.

Com informações do G1

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