O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, iniciou nesta semana uma agenda oficial na Índia. O objetivo central da viagem é ampliar as trocas comerciais entre o Brasil e o país asiático, com foco estratégico nos setores de defesa, tecnologia e indústria.
A missão diplomática e comercial ocorre em um momento delicado para as exportações brasileiras. Recentemente, os Estados Unidos implementaram dois “tarifaços” sobre produtos nacionais vendidos no mercado americano. A primeira medida impõe uma tarifa de 25%, justificada por supostas práticas desleais na economia; a segunda, de 12,5%, decorre de falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham), essas barreiras tarifárias agravam as condições de competitividade e podem impactar diretamente mais de 4 mil produtos brasileiros.
Como os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, ficando atrás apenas da China, o governo federal, por meio do MDIC, do Ministério das Relações Exteriores e do Palácio do Planalto, defende a urgência de diversificar os mercados. A estratégia é buscar novos parceiros e fortalecer acordos já existentes, incluindo negociações com a China, o Canadá e o Japão via Mercosul.
“Em um momento em que o mundo passa por uma onda de medidas restritivas ao comércio global, o Brasil segue fiel na defesa do multilateralismo e na busca de novos mercados para empresas e produtos brasileiros”, afirmou Marcio Elias Rosa, em nota.
O ministro destacou ainda a relevância da Índia, que detém o segundo maior mercado consumidor do planeta. “A Índia é o segundo maior mercado consumidor do mundo e um grande parceiro comercial do Brasil, com quem mantivemos, em 2025, uma corrente de comércio de mais de US$ 15 bilhões”, acrescentou.
A agenda do ministro inclui reuniões em Mumbai e Nova Delhi com empresários de infraestrutura, energia, bens de consumo e, especialmente, fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa mais de 90% dos fertilizantes consumidos internamente, com metade desse volume concentrado em Rússia e China.
Para evitar que conflitos geopolíticos ou guerras prejudiquem o agronegócio brasileiro através da redução da oferta desses insumos, o governo busca novos fornecedores. Recentemente, o ministro Mauro Vieira já visitou o Uzbequistão e o Cazaquistão com a mesma finalidade.
A viagem termina em Jaipur, onde o ministro participará do encontro de ministros do Brics. O grupo de países emergentes tem buscado ampliar sua composição para fortalecer parcerias comerciais e reduzir a dependência econômica global em relação aos Estados Unidos.
“Nessas reuniões, buscaremos fortalecer o diálogo econômico e comercial, identificar oportunidades de ampliação do comércio bilateral e promover maior integração entre empresas brasileiras e mercados considerados estratégicos”, concluiu Márcio Elias Rosa.
Com informações do G1