Indicação de embaixador dos EUA sem aval do Brasil gera mal-estar no Itamaraty

A relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos enfrenta um novo momento de tensão. O governo de Donald Trump indicou Daniel Perez para assumir o posto de embaixador no Brasil sem realizar a consulta formal prévia ao governo brasileiro, o que causou forte incômodo no Itamaraty e no Palácio do Planalto.

Na etiqueta da diplomacia internacional, existe um procedimento padrão chamado “agrément”. Trata-se de uma consulta formal e confidencial onde o país que deseja enviar um representante pergunta ao país receptor se o nome indicado é aceitável. Somente após esse aval é que o nome do embaixador é anunciado publicamente.

Daniel Perez, o escolhido por Trump, é um parlamentar da Flórida e filho de cubanos. A indicação partiu do Departamento de Estado norte-americano e o nome já foi encaminhado ao Senado dos Estados Unidos para a devida aprovação. Vale lembrar que os EUA estão sem um embaixador oficial em solo brasileiro desde janeiro de 2025.

Fontes ligadas ao Itamaraty e ao Planalto interpretaram a ausência do “agrément” como um desrespeito. Para setores do governo brasileiro, a atitude reforça a percepção de que há núcleos dentro do Departamento de Estado dos EUA que atuam de forma contrária à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar do atrito protocolar, interlocutores da área diplomática brasileira indicam que a análise sobre a permanência de Perez não deve ser baseada em critérios puramente ideológicos. Em tese, se não houver fatos que desabonem a conduta do indicado, a diferença de visão política não seria motivo suficiente para negar a autorização de atuação no país.

No entanto, existe uma preocupação estratégica quanto ao “timing” da indicação, que ocorre às vésperas das eleições gerais no Brasil. Há receios de que o novo embaixador possa exercer influência ou apoiar candidatos de oposição, como Flávio Bolsonaro. Por outro lado, fontes nos EUA afirmam que a sabatina no Senado pode ser lenta, não havendo garantia de que Perez chegue ao Brasil antes do pleito.

Mesmo com o mal-estar, a diplomacia brasileira reconhece a importância simbólica e prática de ter um embaixador. Diferente de um encarregado de negócios, que ocupa um cargo inferior, o embaixador possui maior peso político e canal direto de interlocução com as altas esferas do governo brasileiro.

Com informações do G1

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