Trump ameaça Brasil com tarifas de 25% e gera crise diplomática

O cenário diplomático e comercial entre Brasil e Estados Unidos sofreu uma reviravolta brusca. De acordo com análise do jornal britânico Financial Times (FT), as recentes decisões do governo de Donald Trump romperam a “trégua” que parecia existir entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desencadeando o que a publicação classifica como uma “tempestade política” às vésperas das eleições brasileiras.

O ponto central da crise é a proposta de imposição de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O governo americano justificou a medida criticando o sistema Pix e alegando que práticas do governo brasileiro seriam “irrazoáveis” e que “oneram ou restringem o comércio dos EUA”. Na economia, a aplicação de tarifas de importação desse porte costuma encarecer os produtos nacionais no exterior, prejudicando a balança comercial e a competitividade das exportações brasileiras.

Além da questão comercial, os EUA anunciaram, no dia 28 de maio, a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A medida é defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano, mas é rejeitada pela gestão Lula, que manifestou preocupação com a possibilidade de intervenções militares americanas em território nacional.

O Financial Times associa essas movimentações a um esforço de lobby conduzido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar teria se reunido com Trump na Casa Branca pouco antes dos anúncios. Segundo o jornal, a estratégia de Flávio seria se alinhar a líderes políticos pró-Trump que obtiveram vitórias recentes em diversos países da América Latina.

A reação do presidente Lula foi imediata. Ele afirmou ter sido pego de “surpresa” e utilizou as medidas para criticar Flávio Bolsonaro, acusando-o de trair o país ao incentivar a política americana contra interesses nacionais. Lula chegou a rotular a nova taxação como “TariFlávio”.

Para o consultor político Thomas Traumann, citado pelo FT, a situação é complexa. Enquanto a oposição de Lula a tarifas anteriores pode ter aumentado sua popularidade — comparando-o ao líder canadense Mark Carney —, a nova proposta colocou Flávio Bolsonaro na defensiva. O senador publicou um vídeo afirmando que solicitou a Trump que não impusesse novas taxas ao Brasil.

Embora Donald Trump não tenha declarado apoio aberto a qualquer candidato nas eleições de outubro, a divulgação de uma foto com Flávio Bolsonaro, chamando-o de “um jovem inteligente que ama seu país”, foi interpretada como um sinal de apoio à família Bolsonaro. Para Traumann, o conjunto de medidas indica que os EUA “querem interferir na eleição brasileira contra a reeleição do presidente Lula”.

Com informações do G1

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