A Copa do Mundo de 2026 introduziu uma inovação tecnológica para solucionar um dos pontos mais polêmicos do futebol: a marcação de impedimentos. O novo sistema de “tira-teima” da FIFA permite a reprodução fiel de jogadas, eliminando imprecisões que ocorriam em versões anteriores de replays animados.
Até então, as animações de revisão mostravam os atletas com tamanhos padronizados, o que não refletia a realidade do campo e gerava questionamentos em lances complexos. Agora, cada jogador é representado com suas dimensões reais, facilitando a análise técnica na cabine do VAR (Árbitro de Vídeo) e proporcionando maior transparência para o público.
Para viabilizar a tecnologia, todos os atletas das 48 seleções participantes passaram por um processo de escaneamento. Eles foram fotografados em cabines equipadas com 36 câmeras de resolução 4K. O processo é rápido: cada jogador permanece na cabine por cerca de 30 segundos, sendo que a captura da imagem propriamente dita leva menos de um segundo, conforme dados da Lenovo, parceira tecnológica da FIFA.
A partir dessas imagens, algoritmos de inteligência artificial desenvolvem avatares 3D exclusivos. Diferente dos modelos antigos, a nova tecnologia considera detalhes anatômicos precisos, como a altura exata e o tamanho dos pés de cada atleta.
“É possível interpretar textura, postura, movimentação e replicar no avatar. É mais do que uma foto 3D, é efetivamente a replicação do jogador em um ambiente digital”, explicou Valério Mateus, gerente-geral de Serviços e Soluções da Lenovo para a América Latina.
É importante ressaltar que a tecnologia não substitui a autoridade humana. O sistema de avatares não decide automaticamente se houve impedimento; essa função continua sendo do árbitro do VAR. A ferramenta serve como um suporte visual avançado, permitindo que os profissionais rotacionem a imagem e analisem ângulos específicos, como a posição de um ombro ou pé.
Segundo Johannes Holzmüller, diretor de Inovação da Fifa, a medida também visa melhorar a experiência do torcedor. “Melhoraremos os replays em 3D, onde os jogadores são realmente parecidos e fica óbvio quais estão em posição de impedimento”, afirmou o executivo.
O sistema já havia sido testado em dezembro de 2025, durante a partida entre Flamengo e Pyramids, do Egito, pela Copa Intercontinental da FIFA. Além dos avatares, o torneio de 2026 traz câmeras de árbitros com estabilização em tempo real via IA, eliminando tremores e desfoques causados pela movimentação brusca dos juízes em campo.
Com informações do G1