Ações da Braskem despencam após impasse com credores e riscos judiciais

As ações da Braskem registraram uma queda acentuada nesta quinta-feira (18), chegando a recuar quase 12% e atingindo o menor nível do ano. O movimento do mercado reflete a combinação de dois fatores críticos: a dificuldade da companhia em avançar na reestruturação de suas dívidas e o aumento dos riscos jurídicos relacionados ao desastre socioambiental em Maceió, Alagoas.

Analistas do UBS BB alertaram para a situação financeira desafiadora da empresa no curto prazo. Segundo o relatório, as incertezas sobre a capacidade da Braskem de honrar suas obrigações financeiras imediatas devem continuar provocando volatilidade nas ações, mesmo com um cenário mais favorável para as margens de lucro do setor petroquímico.

A oscilação dos papéis é drástica quando comparada ao início do ano. Em março, as ações da Braskem atingiram a máxima intradia de R$ 13,78. Já nesta quinta-feira, por volta das 14h35, os papéis eram negociados a R$ 7,67, com queda de 8,36%. No ponto mais baixo do dia, as ações chegaram a R$ 7,40, o menor valor registrado desde 19 de dezembro de 2025.

O impasse financeiro envolve a Braskem e seu novo acionista controlador, o IG4 Capital. De acordo com informações da Bloomberg, a empresa enfrenta dificuldades para conseguir o apoio necessário dos credores para implementar uma proposta de reestruturação extrajudicial das dívidas.

Fontes ouvidas pela agência indicam que parte dos credores rejeita os termos propostos por considerar que a proposta favorece alguns grupos em detrimento de outros. Além disso, há questionamentos sobre as garantias oferecidas pela petroquímica e a ausência de uma opção que permitisse aos credores converter a dívida em participação acionária na companhia.

Apesar da pressão, fontes ouvidas pela revista “Veja” afirmam que a Braskem descarta, no momento, recorrer à recuperação judicial, mantendo os esforços para chegar a um acordo com seus credores.

Sobre a situação de liquidez, os analistas do UBS BB foram diretos: “De modo geral, entendemos que o caminho da empresa para uma solução de liquidez permanece incerto e pode incluir risco de diluição para acionistas minoritários”. O banco manteve a recomendação neutra para os papéis, acrescentando que “embora consideremos que a empresa possa superar esses desafios e alcançar uma perspectiva mais construtiva no médio e longo prazo, as incertezas ao longo desse caminho sustentam nossa recomendação neutra”.

Recentemente, os acionistas da Braskem aprovaram mudanças no estatuto que dão ao conselho de administração o poder de decidir sobre um pedido de recuperação extrajudicial. Em casos de urgência, o colegiado também poderá deliberar sobre recuperação judicial ou até a confissão de falência.

Paralelamente à crise financeira, a Justiça Federal em Alagoas tornou a Braskem e ex-dirigentes réus em um processo que apura as responsabilidades pelo desastre socioambiental em Maceió. Para o mercado, essa decisão judicial amplia os riscos jurídicos e agrava os danos à imagem da companhia, pressionando ainda mais o valor das ações.

Com informações do G1

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