Um novo estudo liderado por pesquisadores do Brasil e da Alemanha revela que a Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC), o sistema que transporta calor pelo oceano, pode sofrer alterações bruscas de intensidade. A análise de sedimentos marinhos coletados a 189 quilômetros da costa do Maranhão mostrou que esse sistema já passou por mudanças repentinas no passado, impulsionadas por alterações climáticas semelhantes às atuais.
A AMOC funciona como uma “esteira transportadora” que regula o clima global, influenciando diretamente os regimes de chuva na América do Sul e na África. O aquecimento global vem enfraquecendo essa circulação, e a descoberta de que ela pode ter pulsos de fortalecimento mesmo quando enfraquecida muda a compreensão científica sobre o risco de colapsos climáticos abruptos

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O pesquisador Cristiano Mazur Chiessi, da USP, explica que a análise de sedimentos no Atlântico equatorial permitiu criar um registro de altíssima resolução. “É a primeira vez que se mostra que a AMOC pode sofrer pulsos de fortalecimento em períodos em que está enfraquecida”, afirma o especialista, destacando que isso altera a forma como entendemos a dinâmica oceânica.
Para as regiões tropicais, as consequências são severas. O estudo indica que, em períodos de AMOC enfraquecida, a precipitação no Nordeste brasileiro aumentou significativamente, enquanto diminuiu drasticamente no norte da Amazônia. Essa correlação reforça a urgência de monitorar os sinais do clima para antecipar mudanças que afetam a agricultura e a biodiversidade regional.
Atualmente, o derretimento de geleiras e o aquecimento do Ártico dificultam a circulação das águas. Pesquisadores alertam que a AMOC pode enfraquecer entre 43% e 59% até 2100. Sobre a possibilidade de evitar o pior cenário, Chiessi considera: “Precisaremos de muita resiliência, mas ainda podemos evitar que o pior aconteça se atuarmos na redução maciça das emissões de gases estufa”.
Com informações do Portal Amazônia.