O mercado financeiro revisou para cima a estimativa média da inflação para 2026, que agora deve atingir 5,33%. Este movimento marca a décima quinta semana consecutiva de alta nas projeções, refletindo a preocupação dos analistas com a estabilidade dos preços no Brasil.
As projeções foram divulgadas nesta segunda-feira (22) por meio do Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central (BC) que sintetiza as expectativas de mais de 100 instituições financeiras sobre a economia brasileira.
O principal fator para esse ajuste é a instabilidade geopolítica no Oriente Médio. A guerra na região provocou a disparada nos preços do petróleo, o que gera um efeito cascata na economia brasileira, pressionando a inflação através do aumento do custo dos combustíveis e do transporte de mercadorias.
Apesar de um acordo de paz anunciado recentemente entre Estados Unidos e Irã ter provocado uma queda no barril de petróleo — que operava ao redor de US$ 78 no início da semana —, o mercado mantém a cautela. Para 2027, a expectativa de inflação subiu para 4,15%, e para 2028, avançou para 3,70%.
Vale lembrar que, desde o início de 2025, o Brasil adotou o sistema de meta contínua, com o objetivo central de manter a inflação em 3%. O índice é considerado dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. Quando a inflação sobe, o poder de compra da população diminui, impactando principalmente as famílias de renda mais baixa, cujos salários raramente acompanham a alta dos preços.
No campo da política monetária, os economistas tornaram-se mais conservadores quanto à redução dos juros. Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano. Agora, projeta-se apenas mais um corte para agosto, com a taxa encerrando 2026 em 14% ao ano.
Antes do conflito entre EUA e Irã, a expectativa era de que os juros terminassem o ano em 12,5%. Para os anos seguintes, a projeção para o fechamento de 2027 permanece em 12% e, para 2028, em 10,25% ao ano.
Quanto à atividade econômica, houve um leve otimismo no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, que subiu de 1,96% para 1,98%. O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é o principal termômetro do desempenho econômico. Para 2027, a previsão de crescimento segue em 1,70%.
Por fim, a taxa de câmbio manteve-se estável para o fim deste ano, com a projeção de R$ 5,20 por dólar. No entanto, para o fechamento de 2027, os analistas elevaram a estimativa de R$ 5,25 para R$ 5,27 por dólar.
Com informações do G1