O mercado de trabalho brasileiro está passando por uma fase de adaptação tecnológica. De acordo com a mais recente pesquisa divulgada pelo Datafolha neste sábado (27), os brasileiros estão cada vez mais familiarizados com ferramentas de inteligência artificial (IA), como o ChatGPT e o Claude, e, curiosamente, o temor de que essas tecnologias substituam postos de trabalho diminuiu.
Os dados revelam uma mudança significativa na percepção do trabalhador. Entre as pessoas que já conhecem a IA, 48% afirmam sentir algum nível de medo — seja muito ou pouco — de perder a profissão para a tecnologia. Esse número representa uma queda considerável em relação ao levantamento realizado há um ano, quando o índice de receio era de 56%.
No sentido oposto, a parcela da população que declara não ter medo algum de ser substituída pela automação inteligente cresceu, saltando de 41% para 49% no período de um ano. Esse movimento sugere que a tecnologia está deixando de ser vista como uma ameaça iminente para ser compreendida como uma ferramenta de apoio.
A adoção prática da tecnologia também avançou. O uso da inteligência artificial em atividades profissionais subiu de 17% no ano passado para 24% atualmente, entre os entrevistados que conhecem a ferramenta. Além do ambiente corporativo, a IA tem sido amplamente utilizada para pesquisas na internet (25%), estudos acadêmicos (17%) e na criação de conteúdos visuais, como imagens e vídeos (4%).
Apesar da maior aceitação no cotidiano laboral, existe uma barreira ética e social rígida quando se trata de decisões críticas. A pesquisa aponta que a maioria dos brasileiros rejeita a autonomia da IA em processos que impactam diretamente a vida humana. Cerca de 79% dos entrevistados consideram inadequado o uso de algoritmos para decidir contratações e demissões.
A resistência se estende a setores sensíveis da economia e da saúde. O levantamento mostra que 68% dos participantes rejeitam a tecnologia para definições de tratamentos médicos, enquanto 67% são contra a utilização de IA para a concessão de crédito bancário, evidenciando a preferência pelo julgamento humano em questões financeiras e vitais.
A pesquisa foi realizada nos dias 17 e 18 de junho, ouvindo 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, distribuídas em 139 municípios de todo o Brasil. A margem de erro do estudo é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Com informações do G1