O governo dos Estados Unidos encaminhou, na última semana, ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o pedido formal de “agrément” para a nomeação de Daniel Perez como embaixador no país. A medida, confirmada por fontes do governo norte-americano, busca regularizar a indicação feita anteriormente pela Casa Branca.
Para quem não está familiarizado com os termos da diplomacia, o “agrément” é um procedimento padrão e confidencial. Trata-se de uma consulta que o país que indica o diplomata faz ao país que irá recebê-lo. Na prática, é um pedido de concordância para garantir que o nome escolhido seja aceitável para o governo anfitrião antes que a nomeação seja oficializada publicamente.
O processo envolvendo Daniel Perez, no entanto, começou com certa tensão. Perez havia sido indicado por Donald Trump ao posto no dia 1º de junho, mas o anúncio foi feito antes da consulta formal ao Brasil. Essa quebra de protocolo diplomático gerou mal-estar no governo brasileiro, já que a tradição prevê que o país receptor seja consultado previamente.
Além do aval do governo Lula, Perez ainda precisa passar por um processo de sabatina no Senado dos Estados Unidos. A expectativa é que, com a aprovação do Legislativo americano e a concordância do Brasil, o novo embaixador esteja apto a assumir suas funções plenamente antes do encerramento deste ano.
Se confirmado, Perez será o primeiro embaixador dos EUA no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, nomeada na gestão de Joe Biden. O cargo está vago desde janeiro de 2025, coincidindo com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Atualmente, a representação diplomática em Brasília é conduzida por Gabriel Escobar, encarregado de negócios, que será substituído por Natasha Franceschi a partir de julho.
Sobre o perfil do indicado, Daniel Perez é filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York e reside na Flórida desde a infância. Alinhado ao Partido Republicano, Perez é um apoiador das políticas de Donald Trump. Desde 2024, ele ocupa a presidência da Câmara da Flórida, tendo declinado, no ano passado, a possibilidade de concorrer ao cargo de procurador-geral do estado para permanecer na liderança do Legislativo local.
Com informações do G1