Um experimento inovador na Amazônia simulou o aumento do CO₂ atmosférico e a escassez de fósforo, revelando a notável capacidade de adaptação das plantas locais. A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, demonstra que a vegetação se reorganiza para absorver nutrientes de forma mais eficiente, mesmo em condições adversas.
As raízes das plantas apresentaram mudanças significativas: as da serrapilheira ficaram mais longas e finas, enquanto as do solo aumentaram a colonização por fungos. Essas adaptações sugerem uma competição aprimorada entre plantas e microrganismos pelos recursos disponíveis.

O estudo, conduzido pelo programa AmazonFACE (vinculado ao MCTI) a 70 km de Manaus, monitorou o comportamento de árvores de até três metros de altura ao longo de dois anos. Resultados anteriores já haviam indicado um aumento de 67% na assimilação de carbono e 65% no diâmetro do caule devido a essas adaptações.
“Essa rápida adaptabilidade da comunidade de plantas, investindo em múltiplas estratégias para aquisição de nutrientes, reforça a importância da interação com o fósforo para a possível capacidade da floresta de continuar atuando como um sumidouro de carbono e resiliência da floresta frente às mudanças climáticas”, explica Nathielly Martins, autora principal do estudo.

A pesquisa contribui para a compreensão de cenários climáticos futuros em todo o planeta, mas é especialmente relevante para a Amazônia, um dos biomas mais afetados por eventos climáticos extremos. Os resultados apontam para uma “fertilização por CO₂”, um fenômeno que ainda precisa ser mais explorado.
“Os resultados observados até o momento são únicos e nos guiarão para uma melhor compreensão da floresta amazônica como um todo em resposta às mudanças climáticas”, conclui Martins.
Com informações do Portal Amazônia.