Braskem pede proteção judicial para renegociar dívidas bilionárias

A Braskem anunciou nesta quinta-feira (25) que iniciou negociações com bancos e outros credores financeiros para reestruturar suas dívidas. Para garantir que as conversas ocorram sem interrupções, a petroquímica entrou com um pedido de Tutela de Urgência Cautelar na Justiça.

Essa medida jurídica funciona como uma proteção temporária, evitando que a situação financeira da empresa se agrave enquanto ela tenta chegar a um acordo com quem tem valores a receber. Em comunicado ao mercado, a companhia afirmou que a ação visa “preservar um ambiente estável” para buscar uma “solução consensual, estruturante e ordenada”.

O conselho de administração da Braskem também aprovou a possibilidade de adotar medidas protetivas semelhantes no exterior, caso seja necessário. A empresa ressaltou, porém, que a mediação e o pedido de tutela têm escopo limitado à área financeira e “não afetam as obrigações da companhia com fornecedores, clientes e outros parceiros”.

A crise financeira da Braskem ocorre em um momento delicado. Controlada pela Novonor (antiga Odebrecht), a petroquímica está no mercado em busca de um comprador há anos. A venda é estratégica para a Novonor, que segue em processo de recuperação judicial desde as investigações da Operação Lava Jato.

Um dos grandes obstáculos para a venda da companhia é a crise ambiental em Maceió (AL). Em 2019, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) confirmou que a extração de sal-gema provocou a instabilidade do solo, resultando no afundamento de bairros e na evacuação de cerca de 60 mil pessoas. Em 2023, houve ainda o colapso de uma de suas minas sob a lagoa Mundaú.

No campo dos números, a situação da empresa é desafiadora. A Braskem encerrou o primeiro semestre com uma alavancagem financeira de 10,59 vezes. Na prática, isso significa que a dívida da empresa é mais de 10 vezes maior do que o lucro que ela gera.

A dívida bruta corporativa soma aproximadamente US$ 8,5 bilhões (cerca de R$ 45,4 bilhões na cotação atual). Apesar do montante, o presidente da Braskem, Roberto Ramos, defendeu a estratégia de reestruturação, afirmando que a empresa não possui vencimentos de curto prazo e que o problema “não era tamanho da dívida”.

Ramos aposta na transição da matéria-prima nafta para o gás e na produção de químicos “verdes”, derivados de fontes renováveis como milho e cana-de-açúcar. Ao final de junho, a posição de caixa da companhia, excluindo a operação no México (Braskem Idesa), era de US$ 1,7 bilhão (aproximadamente R$ 9 bilhões).

Com informações do G1

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