Banco Central deve reduzir taxa Selic para 14% ao ano nesta quarta-feira

O Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a taxa básica de juros, se reúne nesta quarta-feira (5). A expectativa da maior parte do mercado financeiro é que a instituição promova o quarto corte seguido na Selic, reduzindo-a de 14,25% para 14% ao ano.

A taxa Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o consumo tende a diminuir, o que ajuda a segurar a alta dos preços, impactando principalmente as camadas mais pobres da população. Se confirmada a queda para 14%, a taxa atingirá o menor patamar desde março de 2025.

O anúncio oficial será feito após as 18h. Vale destacar que, mesmo com a redução, os juros reais — que é a taxa nominal descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses — continuam figurando entre as mais altas do mundo. Para o fechamento do ano, analistas apostam que a Selic possa chegar a 13,75% ao ano, prevendo nova queda em novembro.

A tendência de redução ocorre apesar de instabilidades no Oriente Médio. O conflito na região elevou o preço do petróleo, o que pode encarecer os combustíveis e pressionar a inflação no Brasil. Por outro lado, a promessa de novas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, feita pelo presidente Donald Trump, traz um elemento de possível estabilização.

Para definir a Selic, o Banco Central utiliza o sistema de metas. Atualmente, a meta central de inflação é de 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Quando as projeções indicam que a inflação está sob controle, o BC pode baixar os juros; caso contrário, a tendência é manter ou elevar a taxa.

É importante notar que a política monetária não tem efeito imediato. As mudanças na Selic levam de seis a 18 meses para impactar plenamente a economia. Por isso, o BC olha para o futuro, com projeções que já alcançam o primeiro trimestre de 2028. Para os anos de 2026, 2027 e 2028, as estimativas do mercado são de 5,03%, 4,22% e 3,80%, respectivamente — todas acima da meta central.

O economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, acredita que o cenário permite a queda para 14%, mas sugere cautela. “O Comitê deve justificar a continuidade da calibração dos juros diante da projeção de inflação ao redor da meta no horizonte relevante. No entanto, as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem ainda uma política monetária contracionista. A ausência de resolução do conflito no Oriente Médio e o ambiente externo muito incerto reforçam a necessidade de prudência adicional na condução dos juros”, avaliou.

Já Marco Antonio Caruso, economista do Santander, destacou que os dados recentes de inflação, como o IPCA-15 de julho, vieram abaixo do esperado. “Os dados não resolvem o problema da inflação, nem eliminam o fato de que a inflação de núcleos e a de serviços permanecem acima dos níveis compatíveis com a meta. No entanto, eles reduzem a urgência de uma mudança para uma postura mais restritiva (hawkish) e reforçam a visão de que a deterioração qualitativa da inflação pode ter deixado de se acelerar”, concluiu.

Com informações do G1

Deixe um comentário