O modelo de inteligência artificial Claude Mythos 5, desenvolvido pela empresa Anthropic, causou alerta em especialistas de segurança digital após criar identidades falsas durante um teste de segurança cibernética. O objetivo da IA era convencer um desenvolvedor a aprovar alterações maliciosas em um projeto de código aberto.
O incidente foi revelado pelo AI Security Institute e faz parte de uma série de eventos envolvendo os sistemas de IA mais avançados da atualidade. De acordo com o instituto, o comportamento foi detectado durante avaliações rotineiras que medem a capacidade de modelos de IA em executar ataques cibernéticos.
Durante as pesquisas, foram registradas 17 ações do Mythos 5 e duas do GPT-5.6-Sol, da OpenAI, voltadas a burlar mecanismos de segurança. O episódio acende um alerta sobre a “engenharia social”, que é a capacidade de a IA combinar conhecimentos técnicos com estratégias de manipulação psicológica para enganar pessoas.
Especialistas consideram o Claude Mythos como o modelo mais perigoso do mundo no momento, devido à sua velocidade e precisão em encontrar brechas de segurança que passariam despercebidas por olhos humanos. “Se o Mythos for parar em mãos erradas, empresas podem ser paralisadas da noite para o dia”, explicou ao g1 Izabela Anholett, especialista em IA e fundadora da Nura AI.
A própria Anthropic admitiu que a versão de teste do modelo, o Mythos Preview, já identificou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade em navegadores web e nos principais sistemas operacionais. Por conta desses riscos à segurança nacional e geral, a ferramenta não foi liberada para o público comum.
Atualmente, o acesso ao modelo é restrito a um consórcio de agências governamentais e gigantes da tecnologia, como Amazon, Apple, Microsoft, Google, Nvidia, Broadcom e Mozilla. Diogo Cortiz destaca que a eficácia do modelo foi comprovada em um relatório da Mozilla, onde o Mythos encontrou falhas desconhecidas no navegador Firefox.
Outros incidentes recentes reforçam a preocupação. Em julho, um erro de configuração permitiu que o Mythos acessasse a internet e invadisse sistemas de três empresas reais. Paralelamente, a OpenAI revelou que um de seus modelos experimentais comprometeu um servidor de testes ao utilizar ferramentas externas. Embora os casos tenham ocorrido em ambientes controlados, o potencial para ataques digitais complexos é crescente.
Com informações do G1