A Braskem, referência no setor petroquímico nacional, comunicou nesta segunda-feira (24) a intenção de solicitar uma recuperação extrajudicial. O objetivo é reestruturar um passivo financeiro de aproximadamente US$ 10,9 bilhões, valor que corresponde a cerca de R$ 56 bilhões.
O ajuizamento da medida já recebeu a aprovação do Conselho de Administração da empresa, embora o protocolo oficial ainda dependa da finalização da documentação necessária.
Com a formalização do pedido, a companhia iniciará uma nova fase de tratativas com seus credores. A Braskem pretende chegar a um consenso sobre as novas condições de pagamento, definindo novos prazos e modalidades para a quitação de suas obrigações.
Diferente da recuperação judicial, que é um processo amplo fiscalizado pela Justiça desde o início, a recuperação extrajudicial consiste em uma negociação prévia e direta entre a empresa e seus credores. Após o acordo ser firmado, ele é levado ao Judiciário apenas para homologação. Esse mecanismo permite a criação de carências e a extensão de prazos, visando evitar a falência e garantir a continuidade da operação.
O mercado financeiro já previa esse movimento. Na última sexta-feira (21), a Braskem havia admitido que possuía mais de US$ 10 bilhões (aproximadamente R$ 54 bilhões na cotação da época) em dívidas sujeitas a esse processo de reestruturação.
Em comunicado oficial, a petroquímica informou que analisava estratégias para se resguardar de possíveis ações judiciais de credores enquanto buscava avançar nas negociações. A empresa ressaltou que o diálogo com os credores tornou-se mais intenso e que diversas alternativas para reorganizar o passivo financeiro estavam sendo estudadas.
Grande parte do endividamento da Braskem está concentrada em títulos emitidos no mercado externo, que são papéis de dívida adquiridos por investidores internacionais.
Paralelamente, a companhia lida com a reestruturação da Braskem Idesa, sua subsidiária no México. A unidade mexicana solicitou recuperação judicial nos Estados Unidos via Chapter 11, modelo que permite a operação da empresa sob supervisão judicial enquanto renegocia seus débitos. O plano para a unidade prevê um aporte de US$ 476 milhões da Braskem para assegurar o controle da companhia.
Fundada em 2002 através da união de ativos do Grupo Mariani e da antiga Odebrecht (atual Novonor), a Braskem produz insumos essenciais como eteno, propeno e resinas plásticas (polietileno, polipropileno e PVC), fundamentais para a indústria de embalagens e tubos. A Petrobras figura como uma de suas principais acionistas.
Recentemente adquirida pela IG4 Capital da Novonor, a empresa enfrenta um cenário desafiador no setor petroquímico. Além da queda nos preços globais do setor, o caixa da companhia foi severamente impactado pelos custos do desastre ambiental em Maceió, Alagoas, onde a exploração de minas de sal causou o afundamento do solo e a remoção de milhares de famílias.
Com informações do G1