A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) comunicou nesta quarta-feira (2) uma alteração em sua alta gestão. Benjamin Steinbruch deixará a presidência executiva da empresa para assumir a liderança do Conselho de Administração.
A partir de quinta-feira (3), o cargo de presidente executivo da CSN será ocupado por Fabio Schvartsman, que anteriormente esteve à frente da Vale.
A trajetória de Benjamin Steinbruch
Aos 73 anos, Steinbruch encerra um ciclo de 33 anos na presidência da CSN. O executivo carioca possui um histórico marcante no setor industrial brasileiro, tendo desempenhado papel central na privatização da Vale em maio de 1997. Na época, ele liderou o Consórcio Brasil, grupo vencedor do leilão de privatização da mineradora.
Essa atuação consolidou a influência de Steinbruch nos grandes movimentos de privatização da década de 1990. Além de sua gestão empresarial, ele também representou a indústria brasileira como 1º vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Quem é Fabio Schvartsman
O novo presidente da CSN possui formação e pós-graduação em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da USP, além de especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Antes de sua passagem pela Vale, Schvartsman acumulou experiência em diversas corporações. Atuou por uma década na Duratex e passou 22 anos no Grupo Ultra, onde exerceu as funções de sócio-diretor da Ultra S.A. e diretor financeiro da holding Ultrapar, saindo do grupo em 2007.
Posteriormente, liderou a San Antonio Internacional e a Telemar Participações. Entre 2011 e 2017, foi o presidente da Klabin, empresa do setor de papel e celulose.
Passagem pela Vale e desdobramentos judiciais
Schvartsman assumiu a presidência executiva da Vale em 23 de maio de 2017. Seu objetivo era promover uma reorganização institucional e alinhar a carteira de ações da companhia ao Novo Mercado da bolsa de valores.
Durante sua gestão, houve um aumento nos investimentos em segurança de barragens e a reformulação do controle de riscos com apoio da consultoria Deloitte. Schvartsman adotou a diretriz “Mariana nunca mais”, em referência ao desastre de 2015 em Minas Gerais.
Contudo, sua gestão foi interrompida em 25 de janeiro de 2019, após o rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, que resultou em 270 mortes e severos danos ambientais. Schvartsman deixou a presidência da Vale cerca de um mês após a tragédia.
Em depoimento à CPI do Senado em março de 2019, o executivo afirmou que a Vale “trabalhava com laudos de estabilidade emitidos por auditorias externas e que não tinha informações prévias sobre qualquer risco de perigo iminente”, mencionando ainda a realização de pagamentos emergenciais às vítimas.
No âmbito jurídico, Schvartsman tornou-se réu por crimes ambientais e homicídio duplamente qualificado com dolo eventual. Após um período de trancamento das ações penais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, em abril deste ano, restabelecer os processos. Em 7 de maio, a Justiça Federal reincluiu o executivo nas ações, separando os processos de homicídio e crimes ambientais.
Com informações do G1