Dívida da Venezuela pode chegar a US$ 240 bilhões, revela Financial Times

A Venezuela se prepara para divulgar a dimensão real de seu endividamento, que pode atingir a marca de US$ 240 bilhões (aproximadamente R$ 1,3 trilhão). A informação foi revelada pelo jornal Financial Times nesta quarta-feira, com base em fontes familiarizadas com a estratégia do governo venezuelano.

O montante surpreende os analistas do mercado financeiro, que trabalhavam com projeções mais conservadoras, situadas entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões. Com esses novos números, o país caminha para o que pode ser a maior reestruturação de dívida nacional já registrada na história global.

No mês passado, o governo de Caracas anunciou oficialmente que iniciaria o processo de reestruturação de sua dívida externa. Naquela ocasião, as estimativas de passivos totais — que incluem não apenas os empréstimos, mas também juros acumulados e indenizações decorrentes de arbitragens internacionais — já superavam os US$ 150 bilhões.

A situação financeira da Venezuela é considerada um dos casos mais graves de calote de dívida pública no mundo. Atualmente, existem cerca de US$ 60 bilhões em títulos inadimplentes, emitidos tanto pelo governo central quanto pela PDVSA, a estatal de petróleo do país. Vale lembrar que a nação sul-americana não realiza pagamentos de sua dívida externa desde 2017.

De acordo com a reportagem, o governo venezuelano deve detalhar a situação financeira completa nas próximas semanas, apresentando a atualização aos seus credores. Para viabilizar esse processo, Caracas contratou a consultoria americana Centerview Partners, que auxiliou na elaboração de um plano para restaurar a sustentabilidade da dívida do país. A expectativa é que esse plano seja divulgado no início de julho.

Além do plano de reestruturação, a Venezuela deve apresentar ainda este mês um novo quadro macroeconômico. A estimativa é que o tamanho da economia venezuelana seja calculado em cerca de US$ 100 bilhões. Se esses números se confirmarem, a relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) do país saltaria para mais de 200%, evidenciando a fragilidade fiscal da nação.

Com informações do G1

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