El Niño em Roraima: o que muda no plantio e uso do fogo em terras indígenas

O risco de períodos mais quentes e secos provocado pelo El Niño tem forçado comunidades indígenas de Roraima a mudarem a forma de lidar com o fogo. Na Terra Indígena São Marcos, em Boa Vista, moradores estão reduzindo as queimadas e participando de treinamentos para evitar que o fogo das roças se transforme em incêndios de grandes proporções

El Niño preocupa comunidades indígenas de Roraima e muda rotina no plantio de roças
Moradores da comunidade Campo Alegre, na Terra Indígena São Marcos, participaram de treinamento sobre prevenção e combate a incêndios. Foto: Lucas Wilame/Rede Amazônica RR

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A capacitação, realizada em parceria com a Funai e o Ibama, já alcançou sete comunidades no estado. O objetivo é orientar sobre o Manejo Integrado do Fogo, prática essencial para o preparo de roças e limpeza de áreas. Segundo Bruno Eduardo Wapichana, supervisor do Prevfogo, “esse fogo colocado num período errado pode se tornar um grande incêndio florestal, trazendo muitas consequências não agradáveis à população”.

Na comunidade Campo Alegre, a cerca de 50 km de Boa Vista, a estratégia incluiu transferir parte das roças de áreas de mata para o lavrado. No entanto, a mudança trouxe novos desafios: as plantações agora dependem totalmente das chuvas e ficam vulneráveis ao calor intenso. O segundo tuxaua da comunidade, Jadeson Barista da Silva, alerta que “quando as temperaturas aumentam, a produção de mandioca é prejudicada e parte das plantações corre até o risco de ser perdida”

Plantações cultivadas no lavrado dependem das chuvas e ficam mais vulneráveis ao calor durante o período de estiagem. Foto: Lucas Wilame/Rede Amazônica RR

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A preocupação se estende à subsistência e renda das famílias. O agricultor Auquino Pereira Augusto, que cultiva 60 variedades de frutas e legumes em cinco hectares, teme a escassez hídrica para manter sua produção. “Minha preocupação é não ter condição de molhar essas plantas todas. Pelo jeito que eu estou vendo, vou perder quase todas, porque a gente não está tendo água”, desabafa o produtor.

Com informações do Portal Amazônia.

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