Estudantes do RS usam empreendedorismo social para combater pobreza menstrual

Na biblioteca de uma escola municipal localizada na periferia de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, um grupo de adolescentes transformou a realidade da comunidade escolar. O que começou como conversas sobre temas antes evitados tornou-se o coletivo “Garotas de Vermelho”, fundado por estudantes da Escola Municipal Saint Hilaire.

O objetivo central do grupo é combater a pobreza menstrual, garantindo que meninas em situação de vulnerabilidade tenham acesso a itens básicos de higiene e informação. A iniciativa surgiu da observação direta das alunas, que notaram que muitas colegas não possuíam absorventes ou enfrentavam barreiras culturais para discutir a menstruação em casa e na escola.

“A menstruação era um assunto escondido”, relata a estudante Joana Souza, uma das idealizadoras do projeto, destacando a importância de romper o silêncio sobre a saúde feminina.

Para viabilizar a operação, as estudantes aplicaram conceitos de empreendedorismo social. O coletivo desenvolveu kits compostos por bolsas térmicas e absorventes reutilizáveis. O modelo de negócio adotado é baseado na sustentabilidade financeira: a cada kit vendido, o valor arrecadado é utilizado para financiar a doação gratuita de outro kit para meninas que não podem pagar.

Além da distribuição de insumos, o projeto foca na educação. Através de rodas de conversa conduzidas de “menina para menina”, o grupo já percorreu mais de 30 escolas na capital gaúcha. Essa abordagem horizontal cria um ambiente de segurança, facilitando a troca de experiências e a prevenção à violência sexual.

O impacto social e a eficiência do modelo de gestão levaram as estudantes a conquistarem destaque nacional no Desafio Liga Jovem, uma competição focada em empreendedorismo estudantil. O reconhecimento abriu portas para mentorias especializadas e até uma viagem internacional a Madri, na Espanha, onde apresentaram a solução em centros de inovação.

Atualmente, o objetivo do coletivo é escalar a iniciativa para alcançar mais estudantes e ampliar a conscientização sobre o corpo feminino. Para a professora Maria Gabriela de Souza, orientadora do projeto, a experiência demonstra que a educação empreendedora é uma ferramenta poderosa de transformação social.

Com informações do G1

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