Solidariedade no campo: mutirão salva safra de café de produtor no ES

Na comunidade de Palmeira, localizada em Mimoso do Sul, no Espírito Santo, a colheita do café vai além da atividade econômica; ela é um símbolo de cooperação mútua. Há mais de três décadas, produtores locais mantêm a tradição de organizar mutirões para colher a safra de vizinhos que enfrentam dificuldades pessoais ou de saúde, garantindo que a produção não seja perdida.

Neste ciclo produtivo, o agricultor Brenner Gasparelo foi um dos beneficiados por essa rede de apoio. Após sofrer um acidente de motocicleta e ser submetido a uma cirurgia, Brenner ficou impossibilitado de realizar a colheita de sua lavoura. Sem a mobilização da comunidade, o produtor enfrentaria um prejuízo financeiro significativo devido à perda da safra.

“Ia ter uma boa perda, porque quando o café demora a ser colhido, ele seca e cai muito. Ia ser prejuízo. Estou muito feliz de saber que todo mundo gosta da gente para poder ajudar assim, e todo mundo que se propôs a poder vir está ajudando. Só sentimento de gratidão, de felicidade”, relatou o agricultor sobre a importância da ação para a manutenção de sua renda.

O trabalho voluntário é intenso. João Florentino, um dos trabalhadores rurais envolvidos, detalha a rotina da força-tarefa: “Normalmente, às 7h30 está todo mundo junto. Só para às 16h30, 17h, até tirar tudo. Tira o máximo que puder para ajudar, porque esse é o intuito da de cada um de nós aqui. É vir ajudar mesmo para que a pessoa possa ter êxito e sucesso naquilo que está fazendo no dia a dia”.

A cultura de auxílio mútuo na região é fortalecida por organizações locais. José Cláudio de Oliveira Carvalho, agricultor familiar, explica que a união da comunidade, consolidada desde 1990, foi impulsionada pela criação de uma associação. “A comunidade sempre foi unida. Há muitos anos, desde 1990, que eu lembro. Nós temos a associação, que foi o motivo da união da comunidade, uma necessidade também. E a partir daí as pessoas começaram a se ajudar”, afirmou.

Para Antônio Carlos Florentino, lavrador e primo de Brenner, a colaboração em equipe otimiza a produtividade e reforça os vínculos sociais. “Aqui na comunidade é com frequência que, sempre que alguém precisa, a gente tá ajudando. Semana passada, ajudamos um amigo também da comunidade. Hoje, estamos aqui ajudando Breninho, meu primo. É diversão, nem cansa”.

A eficiência desses mutirões é notável: em uma das ocasiões, o grupo conseguiu colher quase 500 sacas de café em um único dia, demonstrando a força da agricultura familiar organizada. Para os voluntários, o impacto social supera o esforço físico. “É gratificante a gente poder ajudar o próximo. Esse é o intuito da nossa comunidade. Principalmente da minha pessoa, estar aqui e ajudar. Eu largo o meu, largo o que tenho que fazer para esse dia. É um dia especial”, concluiu João Florentino.

Com informações do G1

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