A tentativa de leilão da Ponta do Cururu, em Alter do Chão, reacendeu um debate profundo sobre a mercantilização das paisagens amazônicas. O caso, que mobilizou o Ministério Público Federal para suspender o procedimento, levanta a questão: “Quem pode vender uma paisagem?”
Para além da disputa imobiliária e jurídica, a situação toca na identidade de Santarém, cidade que celebra 365 anos de história. A região, habitada ancestralmente pelos Boraris, possui um valor que não se limita a escrituras ou hectares

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O autor Olímpio Guarany reflete que a floresta, o subsolo e os rios já são vistos como ativos financeiros, mas que a Ponta do Cururu faz parte do imaginário coletivo. “Existem patrimônios que precisam ser compreendidos para além da lógica do mercado”, afirma o jornalista.
A discussão ocorre em um momento onde a Amazônia é fragmentada em valores de madeira, minério e créditos de carbono. No entanto, a memória e o sentimento de pertencimento de quem vive às marggas do Tapajós não podem ser medidos em milhões de reais

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Defender esses espaços não é ser contra o progresso, mas afirmar que certas heranças são grandes demais para pertencer a um único proprietário. O destino da Ponta do Cururu simboliza a forma como a sociedade enxerga a própria Amazônia e seus tesouros naturais.
Com informações do Portal Amazônia.